Medidas impopulares desnudam projeto da direita, que não emplaca nomes para eleições

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Apoio a Temer rende forte rejeição a partidos de direita e centro-direita, segundo cientista político

Repetidas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2018 não deixam dúvida: de um lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera disparado em todos os cenários, com a possibilidade de eleger-se ainda em primeiro turno; do outro, a centro-direita segue apreensiva pela dificuldade de emplacar um nome forte para a disputa.

A ausência desse representante tem feito crescer o apoio a opções extremistas, mas que ainda não unificam os setores da direita já que provocam ainda mais instabilidade, algo que o próprio mercado não deseja. Essa é a opinião de Francisco Fonseca, cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).

“Me parece que Bolsonaro é um problema para a direita. É claro que, em última instância, se houver uma candidatura de esquerda com potencial eleitoral, além da mais completa ausência de um cenário mais razoável para a centro-direita, é possível que haja um apoio ao Bolsonaro. Mas não é algo fácil, nem tranquilo. Essa extrema direita é iníqua, ignóbil, todos os adjetivos mais pesados poderíamos usar para se referir ao Bolsonaro. Ele é mais que um outsider, é um outsider que gera instabilidade”, avalia.

Para Fonseca, a centro-direita paga a conta por ter não só participado do golpe de estado de 2016, mas por ter apoiado medidas que impactam diretamente o cotidiano do povo trabalhador do Brasil, como a Emenda Constitucional do Teto de Gastos, a política de preços de combustíveis e gás de cozinha e a reforma trabalhista, que precarizou as relações de trabalho no país.

“Defender esse legado maldito de destruição do Temer é algo que ninguém quer. Os golpistas deram o golpe, o PSDB, o PMDB, os partidos do chamado centrão, eles deram o golpe, mas não querem defender o legado do golpe, não têm como defender o legado do golpe porque ele é contra os trabalhadores, fundamentalmente”, ressalta.

A opinião do professor é compartilhada pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato no dia 11 de junho, ela afirmou que o golpe em 2016 foi, na realidade, uma espécie de movimento autofágico, pois a partir dele ficaram demonstrados os reais interesses dos setores golpistas, hoje, enfraquecidos politicamente.

“O PSDB e o PMDB ruíram e agora não têm candidato. O processo do golpe que inicia com o impeachment é um fracasso político, expresso no fato de que não existe uma única liderança golpista viável hoje. Ela se auto destruiu. De uma certa forma, é um processo autofágico”, ponderou a ex-presidenta.

Segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), divulgada em 15 de junho, Lula segue na dianteira com 30% da preferência do eleitorado, seguido por Jair Bolsonaro (19%), Marina Silva (10%), Geraldo Alckmin (7%), Ciro Gomes e Álvaro Dias (6%), e Henrique Meirelles (2%). No segundo turno, o petista ganharia as eleições contra qualquer dos adversários.

Fonte: Brasil de Fato

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