O primeiro mês do ano não chegou nem até a metade e os bilionários já esgotaram a sua cota anual de emissões de gás carbônico (CO₂), o principal gás do efeito estufa. O alerta é de um estudo da Oxfam, uma confederação global de organizações focada em ações de combate à pobreza e à desigualdade.
Em apenas dez dias, a parcela dos 1% mais ricos do mundo consumiu todo o “orçamento” disponível para 2026, considerando o limite de emissões por pessoa de 2,1 toneladas anuais de CO₂ estabelecido a partir de dados do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
A cota tem como base os indicativos do Acordo de Paris, firmado em 2015, que define um limite de emissões globais para que o aquecimento do planeta não ultrapasse 1,5ºC em relação ao período pré-industrial.
Entre os bilionários, no entanto, a média de emissões anuais, chamada de pegada de carbono, é de 75,1 toneladas por pessoa, 36 vezes o indicado pelo Pnuma.
“Para permanecer dentro do limite de 1,5°C, o 1% mais rico teria de reduzir suas emissões em 97% até 2030”, alerta o estudo. “Enquanto isso, aqueles que menos contribuíram para causar a crise climática, incluindo comunidades em países mais pobres e vulneráveis ao clima, povos indígenas, mulheres e meninas, serão os mais impactados”, informa a Oxfam.
O estudo aponta que uma pessoa entre os 0,1% mais ricos produz mais poluição de carbono em um dia do que os 50% mais pobres emitem em um ano. Assim, se todos emitissem como os 0,1% mais ricos, o orçamento de carbono seria esgotado em menos de três semanas.
Jatos, iates e petróleo
As emissões dos super-ricos têm como origem a combinação entre o estilo de vida e as práticas financeiras desse pequeno grupo da sociedade.
Jatos particulares e iates de luxo, por exemplo, produzem enormes quantidades de CO₂. De acordo com a Oxfam, o uso desses bens em apenas uma semana pode equivaler às emissões de CO₂ de uma pessoa pobre ao longo de toda a vida.
“Em análise global, 50 bilionários emitem mais carbono com jatos, iates e investimentos em apenas 90 minutos do que a pessoa média faz ao longo da vida”, aponta a Oxfam, na pesquisa “Carbon Inequality Kills”, que acompanhou as emissões de jatos particulares, iates de luxo e investimentos em indústrias poluentes.
No campo profissional, os super ricos investem em indústrias dos setores mais poluentes, como a dos combustíveis fósseis.
Entre as empresas privadas líderes em emissões de gás carbônico, estão as estadunidenses ExxonMobil, uma das maiores petrolíferas do mundo; a Chevron, produtora de petróleo e gás e a europeia Shell, também do setor petrolífero.
Como caminhos para corrigir o problema, a Oxfam orienta que governos aumentem impostos sobre a renda e a riqueza dos super-ricos.
Além disso, o estudo sugere a proibição ou tributação punitiva de itens de luxo de alta intensidade de carbono, como os iates e jatos particulares. “A pegada de carbono de um europeu super-rico, acumulada em quase apenas uma semana usando superiates e jatos particulares, equivale à pegada de carbono ao longo da vida de uma pessoa entre os 1% mais pobres do mundo”, alerta a pesquisa.
Fonte: Brasil de Fato