Há exatos 107 anos, em 15 de janeiro de 1919, a revolucionária alemã Rosa Luxemburgo foi assassinada por uma milícia paramilitar junto ao colega Karl Liebknecht. Sua obra, porém, permanece atual, e ajuda a entender muito do que vivemos hoje. Entre os temas que tratou, ela escreveu sobre o imperialismo, com observações que são refletidas hoje.
O BdF Entrevista recebeu o professor de relações internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Antonio Mota, que mostrou como Rosa Luxemburgo pode ajudar na compreensão de fenômenos que vivemos atualmente, como as posturas imperialistas cada vez mais deliberadas de Donald Trump.
“Veja os pilares que ela coloca na interpretação sobre o imperialismo, por exemplo: o imperialismo é sempre vinculado ao militarismo. E o militarismo não com uma ação em abstrato, mas como um instrumento econômico. Os investimentos militares impulsionam a economia capitalista, em termos de inovação, em termos de grandes oligopólios, o lucro desses grandes oligopólios, isso ela denunciou lá atrás”, destacou.
Rosa Luxemburgo apontou que a expansão da frota de guerra da Alemanha antes da Primeira Guerra Mundial daria lucros aos capitalistas de então. Hoje em dia, a despesa militar cresce na casa das centenas de bilhões de dólares por década, e os lucros servem aos mesmos grupos.
“A obra da Rosa Luxemburgo é atual e nos ajuda a entender esse momento atual. Não acho que ela dá respostas prontas, mas nos ajuda a ter parâmetros políticos para agir”, ponderou.
O especialista conta ainda que a revolucionária alemã sempre foi entusiasta das massas. O conceito de ‘massa’, aliás, surgiu no fim do século 19, e muitas vezes foi tratado de maneira crítica por autores burgueses, que associavam os movimentos coletivos à barbárie ou falta de cultura.
“Eu defendo que Rosa Luxemburgo é a primeira autora do campo político que vai dar uma coloração positiva à ação política da massa. Isso ganha uma amplitude de reflexão na obra dela. Desde o primeiro texto já aparece, em 1893. Mas ganha uma concretude com a Revolução Russa de 1905″, explicou.
A autora entendia que não há uma fórmula que dará certo para todos os cenários. “Então, para entender o passo político necessário para a Polônia, é importante compreender a situação histórica da Polônia; assim como para a Alemanha. Ela se vincula desde muito cedo ao marxismo, o que não quer dizer que ela simplesmente repetisse as conclusões do Karl Marx, do Friedrich Engels, longe disso”, destacou Mota.
“Rosa Luxemburgo é uma pessoa apaixonante pelas ideias políticas, mas pela forma como ela escreveu”, resumiu.
Para ouvir e assistir
O BdF Entrevista vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo. No YouTube do Brasil de Fato, o programa é veiculado às 19h.
Fonte: Brasil de Fato