A Academia de Cinema de Hollywood indicou nesta quinta-feira (22), o filme brasileiro “O Agente Secreto”, do cineasta pernambucano, Kleber Mendonça Filho, a quatro prêmios do Oscar: melhor ator para Wagner Moura, melhor filme, melhor filme internacional e a nova categoria de direção de elenco. Outro brasileiro indicado ao Oscar é Adolpho Veloso indicado em Melhor Fotografia pelo filme norte-americano “Sonhos de Trem”. Esta é a segunda vez que um filme brasileiro é indicado a quatro premiações. O primeiro foi Cidade de Deus, em 2004, sem vencer nenhuma categoria.
A indicação ao Oscar de “O Agente Secreto”, que conta a história de Marcelo, professor perseguido pela ditadura militar nos anos de 1970, que volta à sua cidade natal, Recife (PE), para se esconder da perseguição política e para proteger seu filho, que vive com os avós maternos na cidade, retrata um período sombrio do país, e que quase voltou com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A indicação de “O Agente Secreto” vem num momento em que a democracia do Brasil e diversos países vem sendo atacada pela extrema direita que se alastra pelo mundo. Esta é uma oportunidade de mostrar a milhões de pessoas em todo o mundo como agem as ditaduras.
Em diversas entrevistas Wagner Moura, que interpreta Marcelo, ressaltou o tema do filme como uma defesa da democracia e da memória de um país, e de como a extrema direita tentou um golpe de Estado, mas que o Brasil conseguiu impedir o sequestro da democracia.
O ator, que já ganhou o Globo de Ouro e o Festival de Cannes pelo papel, explicou que a obra nasceu da “perplexidade” dele e do diretor com os acontecimentos no Brasil entre 2018 e 2022, além de criticar a Lei da Anistia e comentou que o longa “não teria existido sem Bolsonaro”, ao relacionar o enredo do filme com o contexto político brasileiro pós-ditadura e a eleição de Jair Bolsonaro (PL).
Veja a entrevista que o ator concedeu ao apresentador Jordan Klepper, do programa The Daily Show, na TV dos Estados Unidos.
O Agente Secreto está sendo exibido em dezenas de salas de cinema do Brasil.
Fonte: CUT Brasil