Os quatro astronautas da missão Artemis 2, da Nasa, estabeleceram nesta segunda-feira (6) o novo recorde absoluto de distância humana no espaço. A cápsula Orion atingiu por volta das 20h seu ponto máximo de afastamento: 406.6 mil km da Terra. A missão é a primeira tripulada depois do programa Apollo, entre 1969 e 1972, em uma época em que o mundo vivia outro contexto político, mas também tecnológico.
O astrofísico e professor na Universidade de São Paulo (USP) Ramachrisna Teixeira explicou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, qual o interesse atual em realizar uma expedição como essa.
“Do ponto de vista da intenção científica e tecnológica, o cenário é muito diferente do do que existia antes. Qualquer celular que a gente tem no bolso é muito melhor do que os computadores que se usavam naquela época. Ir para a Lua está mais ou menos ao alcance de muitos países”, afirma o astrofísico.
Entre os interesses dos países, segundo Teixeira, estão a presença de minerais críticos no solo lunar e a fusão nuclear para geração de energia — um dos elementos para esse processo, o Helio 3, é abundante na Lua. “Hoje a gente consegue fazer fusão nuclear em uma bomba de hidrogênio, mas de forma descontrolada. O Helio 3 proporciona uma fusão nuclear até um pouco mais complicada, mas mais limpa”, afirma.
Quando a missão estiver retornando à Terra, os astronautas poderão ver o “lado oculto da Lua” e ficarão por cerca de 40 minutos sem qualquer comunicação com o nosso planeta. Teixeira faz uma analogia para explicar o que acontece. “Imagina você assistindo a uma corrida de carros em uma pista circular e você está no centro desse círculo. Você está torcendo para um carro pintado metade de amarelo, metade de vermelho. Se a parte amarela está voltada para você, você sempre vai ver somente ela, e a parte vermelha ficará voltada para a parte externa da pista”, ilustra. ” É mais ou menos o que acontece com a Lua. A Lua está girando ao redor da Terra, mas ela tem um movimento. O período do movimento de rotação dela é igual ao período de translação, que é o que aconteceria com esse carro na pista. De tal forma que ela está sempre com a mesma face voltada pra Terra”.
De quem é a Lua?
Em 1967, Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que estabelecia regras de exploração pacífica do espaço, entre elas a proibição de apropriação nacional de territórios, como, por exemplo, a Lua. No mesmo ano, alguns meses depois, o Brasil também assinou o documento. Atualmente, mais de 100 países são signatários.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Fonte: Brasil de Fato