Apesar de avanços e mais autonomia, mulheres no Brasil ainda estão longe de condições igualitárias de entrada e permanência no mercado de trabalho, bem como na obtenção de remunerações iguais às dos homens para as mesmas funções. Essa é a síntese de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que busca mensurar, sob a perspectiva de gênero, as desigualdades no mercado de trabalho.
Um dos pontos de atenção da análise é a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho, que é metade da dos homens. Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, uma das autoras da pesquisa, a economista Isabela Duarte Kelly, explica quais as razões para que isso esteja acontecendo. “30% responderam que não estão no mercado de trabalho porque têm que dedicar tempo a afazeres domésticos, ou seja, cuidar desse trabalho que a gente faz em casa, de cuidar do filho, de lavar louça, supervisionar também. E a gente vê uma série de consequências disso: falta autonomia financeira, maior dependência e por aí vai”, aponta.
Kelly avalia que o movimento das últimas décadas, em que mulheres passaram a dividir o tempo entre a casa e o trabalho, não aconteceu na mesma proporção com os homens, que seguiram com o papel social de provedores. “Mulheres conseguem entrar no mercado de trabalho a trancos e barrancos, mas elas estão em duplas, triplas jornadas. E quando conseguem entrar, ganham menores salários. Então é uma desigualdade em várias camadas.”
A pesquisadora destaca a importância de compreender o perfil de cada mulher que consegue se inserir no mercado e as dificuldades advindas de cada realidade, já que é um grupo heterogêneo. “Quando a gente fala das mulheres brancas, a gente não está falando das mulheres pretas e pardas, por exemplo, que até podem ter uma taxa de participação relativamente parecida, só que as mulheres pretas e pardas têm uma diferença salarial muito significativa”, afirma.
O nível de escolaridade também é um fator determinante para entender essas desigualdades. “À medida que você aumenta o nível de escolaridade, você consegue aumentar seu salário também. Só que as mulheres, elas têm um nível de escolaridade, por exemplo, maior que o dos homens e ainda assim elas têm uma desigualdade salarial com relação a eles muito grande”, exemplifica.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
Fonte: Brasil de Fato