Em 25 de janeiro de 2026, completam-se sete anos do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Vale na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O crime provocou 272 mortes e causou danos a milhares de pessoas em 26 municípios da bacia do rio Paraopeba. Apesar da magnitude do crime, ninguém está preso e a mineração voltou a operar no mesmo local, colocando novamente em risco a população já atingida.
Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), após 7 anos do rompimento a reparação também está longe de ser concluída. Em nota, a entidade informa que, apesar de a Vale, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Governo de Minas Gerais divulgarem com insistência o sucesso de um acordo para reparação assinado em 2021, a realidade é bem diferente. “A Vale afirma ter indenizado algo próximo de 17 mil pessoas, o que significa cerca de 10% do universo de atingidos já reconhecidos. Enquanto isso, processos judiciais ainda aguardam decisões. Os projetos comunitários para reparação econômica estão previstos para iniciar em 2026, mas seguem sem implementação efetiva”.
Sete anos depois, a população de Brumadinho ainda vive os impactos da tragédia, com aumento dos adoecimentos e da insegurança. O uso do rio Paraopeba continua proibido devido à contaminação por rejeito da mineração. E a sua limpeza, obrigação da Vale, ainda não alcançou sequer 3 km de rio. Um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) indica que 70% dos domicílios do município relatam algum tipo de adoecimento físico ou mental, evidenciando que os impactos da maior tragédia ambiental e humanitária do Brasil e do mundo persistem até hoje. Sintomas como estresse, insônia, ansiedade, hipertensão e episódios depressivos continuam recorrentes, enquanto 52% dos adultos passaram por tratamento psicológico ou psiquiátrico desde a tragédia.
Nesta sexta-feira, 23 de janeiro, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza uma manifestação em Belo Horizonte, com concentração a partir das 8 horas na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e, às 9h30, uma plenária com os atingidos. Haverá atos no Ministério Público de Minas Gerais (10h30), na Defensoria Pública de Minas Gerais (11h30), Ministério Público Federal (14h30), encerrando às 16h30, com a ida de uma comissão para a reunião com o Juízo do Caso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Diante da não reparação, a população atingida reivindica a aplicação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas – PNAB (Lei nº 14.755/2023) –, bem como o pagamento do Auxílio Emergencial, que vem sendo pago desde dezembro, mas ainda carece de decisão final pela justiça. Também denunciam a má gestão do acordo de reparação e exigem uma gestão adequada, sobretudo no que diz respeito à reparação ambiental e ao cuidado com a saúde da população.
Programação do ato em Belo Horizonte (23/01):
8h – Concentração na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais – Rua Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho
9h30 – Plenária dos Atingidos no Saguão da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) – Balanço da Reparação
10h – Abertura da Cápsula do Tempo das Crianças Atingidas
10h30 – Ato na Porta do Ministério Público de Minas Gerais / Protocolo da Pauta e Denúncia – Av. Álvares Cabral, 1740)
11h – Caminhada para Defensoria Pública de Minas Gerais
11h30 – Ato na Porta da Defensoria Pública de Minas Gerais – Av. Guajajaras, 1707, Barro Preto
14h30 – Ato na porta do Ministério Público Federal – Av. Brasil, 1877
16h – Encerramento e Retorno (Ida de delegação para reunião com Juízo)
16h30 – Reunião com Juízo do Caso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) – Av. Raja Gabaglia (Fórum Cível e Fazendário)
Fonte: MAB