O governo federal divulgou nesta quinta-feira (12) os dados relativos às áreas sob alerta de desmatamento nos biomas Amazônia e Cerrado no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026. Os números são fornecidos pelo sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram apresentados em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, após reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas. O colegiado reúne 19 pastas sob a presidência da Casa Civil e a Secretaria-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Segundo os dados apresentados, o desmatamento na Amazônia registrou uma queda de 35,4% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. O índice medido pelo sistema Deter é o menor valor para esse período desde que o monitoramento começou a usar imagens de satélite de alta resolução.
No Cerrado, a redução foi de 5,9% no mesmo intervalo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que o esforço conjunto de 19 ministérios permitiu alcançar esses números. “Temos uma expectativa de chegarmos à menor taxa de desmatamento na Amazônia da série histórica”, afirmou a ministra durante a apresentação dos dados.
Marina comemorou os resultados, que disse ser consequência do fortalecimento das políticas de controle ambiental de sua gestão à frente do ministério.
“Nós tivemos uma queda de desmatamento na Amazônia de 50% quando nós olhamos para o que vinha acontecendo em 2022. Nós tivemos uma queda no país inteiro de 32% e continuamos fazendo os ajustes num plano, criamos uma secretaria extraordinária para acompanhamento e prevenção do desmatamento. Um conjunto de ações do Ibama, do ICMBio, da Polícia Federal, da PRF, da Funai, que envolve várias frentes, mas não apenas essas, também instrumentos normativos novos, criamos também processos voltados para ter uma governança mais ampliada com os municípios, por sugestão do próprio presidente Lula”, declarou a ministra.
“O desmatamento está caindo e o agronegócio continua crescendo, em uma média de 17%. E nós abrimos cerca de 500 novos mercados para a agricultura brasileira. Fechamos o acordo com o Mercosul numa demonstração de que políticas públicas consistentes, bem desenhadas, bem implementadas, feitas de forma republicana, com compromissos que tem o presidente Lula, dão bons resultados e são múltiplos resultados”, completou.
Ações práticas
O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, destacou que os números são resultados da aplicação dos planos de Manejo Integral do Fogo, implementado pelo ministério junto a estados e municípios.
“O Plano de Manejo Integral do Fogo mudou completamente para uma abordagem muito mais preventiva e de planejamento territorial do que apenas o combate. O combate fundamental melhorou também significativamente, mas o engajamento com os estados, com os municípios, com o setor privado está trazendo resultados importantes”, considerou o secretário.
O governo também aprovou a repactuação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, conhecido como PPCDAm, que agora tem uma versão para cada bioma brasileiro.
“Agora nós temos os planos para todos os biomas, são mais de 400 ações, cerca de quase 500 ações, com os resultados que vocês podem observar”, disse a ministra Marina Silva.
“Temos, pela primeira vez na história da política ambiental brasileira, planos de prevenção e controle do desmatamento para todos os biomas brasileiros com sistemas de monitoramento transparentes para todos esses planos e temos aqui a base do que foi lançado pelo presidente Lula, pela ministra Marina na COP30, que é o chamado ‘mapa do caminho’ para a eliminação do desmatamento no Brasil, dando exemplo para o mundo a partir dessa base. Vamos sofisticar, aprimorar, mas já temos uma base para esse ‘mapa do caminho’”, afirmou André Lima.
O novo quadro do plano reduziu as linhas de ação para 48, mas aumentou o número de metas para 170. Segundo Lima, a mudança busca dar mais eficiência e transparência ao monitoramento das políticas públicas.
“Nós unimos um conjunto de ações que estavam dispersas com foco nas mais estratégicas. Tinham ações repetidas, por exemplo, a bioeconomia. Tinham várias ações de bioeconomia em diferentes órgãos. Nós unimos isso numa mesma linha de ação, atribuindo metas para 2025, 2026 e 2027.
Ou seja, deixamos mais claras as atribuições e tornamos o plano mais eficiente com linhas de ação mais estratégicas. Por quê? Porque nós temos um conjunto menor e mais focado, mais consistente de linhas de ação e mais metas para poder aferir o resultado. Importante é aferir o resultado dessas ações. Então, de 136 metas passamos para 170 metas”, explicou o secretário.
Um dos destaques é o programa União com Municípios, que foca em cidades que mais desmatam. Dos 81 municípios prioritários, 70 já aderiram ao compromisso de redução da destruição florestal. Nessas áreas, a queda do desmatamento foi de 65,5%, um resultado superior à média de toda a Amazônia.
“Os municípios que aderiram já estão recebendo computador, drone, lancha, moto, caminhonetes, consultores em geoprocessamento, Starlink, internet, para poder acompanhar as coisas em tempo real”, disse Lima.
Além das ações locais, a fiscalização federal foi intensificada. O Ibama registrou um aumento de 59% nas ações de fiscalização em comparação com o ano de 2022. O Fundo Amazônia também retomou os investimentos, com a aprovação de R$ 3,642 bilhões para projetos de conservação e uso sustentável da terra nos últimos três anos.
“As ações de comando e controle do eixo de monitoramento e de controle ambiental, aumento das ações da Polícia Federal na região, 148% de operações de fiscalização a mais em relação a 2022, 110% de abordagens de veículos, sobretudo nas rodovias federais. Apreensão de minério, uma ação muito forte da Polícia Federal em parceria com o Ibama, Polícia Civil e Funai, na questão dos garimpos clandestinos, com aumento de 170% das apreensões de minérios extraídos ilegalmente e de madeira ilegal também”, explicou o secretário extraordinário do MMA.
Sistemas de monitoramento
Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) explicou como funcionam os sistemas de monitoramento hoje disponíveis para o combate ao desmatamento e às queimadas ilegais.
“O Inpe mantém dois sistemas de monitoramento. Um sistema anual que é o Prodes, que é onde está aquele dado definitivo que faz a medida do desmatamento oficial e final do desmatamento, que é sempre de agosto a julho. E o Deter, que faz esse monitoramento em tempo real, todo dia a gente tem imagens captadas pelos satélites brasileiros que fazem então esse monitoramento diário do que está acontecendo nos três grandes biomas, na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.”, observa Almeida.
“Isso cobre mais de 75% da superfície no Brasil. Você tem dados diários enviados para o Ibama e para os outros órgãos de fiscalização”, completa.
Fonte: Brasil de Fato