A Federação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) apresentou, na tarde desta terça-feira (17), o estudo “Rosto dos Financiários”, levantamento que tem como objetivo traçar o perfil dos trabalhadores do setor de crédito, financiamento e investimento.
A pesquisa reúne informações sobre quem são os financiários, suas características profissionais e sociais, além de identificar demandas e percepções da categoria. A iniciativa é considerada estratégica para aprofundar o conhecimento sobre a realidade dos trabalhadores e orientar a atuação das entidades sindicais.
O estudo é resultado da última negociação com o sindicato patronal das financeiras, que estabeleceu o compromisso de realização de um levantamento de informações setoriais. Prevista na cláusula 65 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a iniciativa determina que as instituições apresentem, de forma individualizada, dados sobre seus empregados e as condições de trabalho no setor.
Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) das Financeiras, Magaly Fagundes, o levantamento representa um avanço importante, mas ainda insuficiente diante das necessidades da categoria. “Esse é um começo importante para o reconhecimento da categoria. Conhecer o perfil dos financiários fortalece a nossa representação e qualifica o processo de negociação”, afirma.
Magaly ressalta, no entanto, que o estudo ainda precisa avançar em pontos fundamentais. “Precisamos de mais informações, como o número de pessoas com deficiência, dados sobre trabalhadores afastados, os tipos de adoecimento relacionados ao trabalho e outros recortes que são essenciais para entendermos a realidade completa da categoria”, destaca.
Ela também defende maior participação dos trabalhadores nas próximas etapas. “Nas próximas edições, queremos que a representação dos financiários participe de forma mais ativa em todo o processo, desde a construção até a discussão dos dados. Isso é fundamental para garantir mais transparência e aderência à realidade”, completa.
Radiografia do setor
O estudo, realizado entre julho e setembro de 2025, envolveu 71 instituições financeiras e apresenta um panorama detalhado do setor. Entre os principais pontos, está a concentração geográfica das empresas, com destaque para São Paulo (66%).
No recorte demográfico, o levantamento aponta equilíbrio de gênero, com 53% de mulheres e 47% de homens. No entanto, ainda há desafios em relação à diversidade racial: 64% dos trabalhadores se identificam como brancos, enquanto pretos e pardos somam 32% — percentual inferior ao observado na população brasileira.
A pesquisa também revela um setor predominantemente jovem-adulto, com 80% dos profissionais entre 25 e 44 anos. Já os trabalhadores com 50 anos ou mais representam apenas 4% do total, indicando sub-representação dessa faixa etária.
Modelo de trabalho e salários
Outro destaque é a consolidação do modelo híbrido, adotado por 70% das empresas, refletindo mudanças estruturais no mundo do trabalho após a pandemia. Em relação à remuneração, o estudo mostra grande variação entre os cargos. Na gerência, quase metade dos profissionais recebe acima de R$ 20 mil. Já nas funções de base, como auxiliar e assistente, a maioria ganha entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, evidenciando a desigualdade interna do setor.
Os dados também apontam dificuldades na progressão de carreira: 48% dos trabalhadores não tiveram nenhuma promoção na empresa atual, enquanto apenas 5% registraram mais de três progressões.
Desafios e próximos passos
O levantamento indica que, embora o setor acompanhe tendências como o trabalho híbrido e o equilíbrio de gênero, ainda enfrenta desafios importantes, especialmente na ampliação da diversidade e na construção de políticas mais consistentes de inclusão.
Para o movimento sindical, o estudo representa uma ferramenta essencial, mas que precisa evoluir. A expectativa é que os próximos levantamentos avancem na profundidade das informações e contem com maior participação da representação dos trabalhadores, fortalecendo as negociações e a luta por melhores condições de trabalho, valorização profissional e igualdade de oportunidades no setor.
Fonte: Contraf-CUT