GT Saúde Mental dos Trabalhadores e Trabalhadoras avança e realiza Seminário de Boas Práticas

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A saúde mental da categoria bancária está adoecida, e as causas vão além da pressão por metas e o assédio moral; o fechamento de agências, as reestruturações de funções também têm adoecido os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro.

O que a realidade mostra, os dados comprovam. Entre as cinco categorias com maior número de afastamentos por questões de saúde mental, os gerentes de bancos são os que apresentam maior percentual de afastamentos reconhecidos como doenças ocupacionais (B91) em relação ao total de afastamentos, segundo dados do INSS. Do total de 13.077 profissionais que pararam de trabalhar para cuidar da saúde mental, 37,76% tiveram benefícios enquadrados como decorrentes da sua atividade.

“Quando as pessoas chegam lá (Sindicato) procurando atendimento, é que assim, eles não estão mais se identificando com o trabalho bancário e isso está causando um transtorno muito grande, porque estão perdendo as funções que eles tinham. Já nos bancos privados, é muito fechamento de agências, que também tem nos bancos públicos. Essa mudança de função, e muitas vezes não tem remuneração adequada com a função que estão pegando; quer dizer se tem baixo salário e muito trabalho, isso também causa um sofrimento para pessoa”, explica a diretora de saúde do Sindicato, Heládia Carvalho.

Mas a dirigente sindical tem outra inquietação. “Agora outra coisa que mais me preocupa nisso tudo, além do adoecimento no trabalho, é o próprio acolhimento na Previdência Social, porque está muito difícil para você conseguir um benefício. Seja a doença ocupacional ou uma doença comum, o benefício demora a sair”, pontuou.

A realidade da categoria bancária foi contada durante o seminário ‘de Boas Práticas em Saúde Mental, com foco nas novas relações de trabalho e a saúde do trabalhador e da trabalhadora’, realizado na última quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa do estado do Pará. A atividade faz parte do GT de Saúde Mental da Comissão de Direitos Humanos, Defesa do Consumidor, Defesa das pessoas com deficiência, da Mulher, da Pessoa Idosa e das Minorias.

“Hoje não estamos reunidos apenas para discutir um tema técnico. Estamos aqui para tratar de uma questão profundamente humana, urgente e estrutural: a saúde mental de trabalhadores e trabalhadoras que, em diferentes funções e realidades, sustentam a vida social todos os dias — cuidando, atendendo, dirigindo, ensinando, servindo, produzindo e resistindo sob pressões, metas abusivas, violências, silenciamentos, inseguranças e exaustão. E é justamente por reconhecermos a gravidade e a centralidade desse tema que esta reunião de trabalho se realiza hoje”, avaliou o presidente da Comissão, deputado federal Carlos Bordalo.

O GT foi criado em maio de 2021, ainda na pandemia do coronavírus e desde lá trouxe avanços. “Desde sua criação, esse Grupo de Trabalho tem produzido resultados concretos e importantes para a política pública estadual. Entre essas conquistas, destaco duas legislações fundamentais. A primeira é a Lei nº 9.933, de 26 de maio de 2023, que institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtornos Mentais e Sofrimento Psíquico no Estado do Pará, reafirmando o cuidado em liberdade, a dignidade humana e a vedação ao retorno de modelos manicomiais. A segunda é a Lei nº 9.994, de 12 de julho de 2023, que dispõe sobre o recesso anual dos servidores e servidoras lotados nos serviços da Rede de Atenção Psicossocial – RAPS do Estado do Pará”, destacou.

A saúde mental é coletiva

“Que a gente realmente entenda que o processo de trabalho, ele não pode ser pré-histórico. A gente precisa voltar para casa, saudável. A igualdade é um processo necessário, mas ele é o início do processo evolutivo, o processo evolutivo de coletividade é o quê? Todos nós vamos reproduzir aqui que é a equidade. É atender os desiguais de forma desigual, conforme a necessidade de cada um, e isso é a promoção da saúde do nosso SUS, e viva o SUS”, coord. do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), Edgard Pereira.

Outros números

A categoria bancária representa 0,8% do emprego formal no país, mas foi responsável por 2,18% dos 168,7 mil afastamentos acidentários (B91) registrados em 2024.
Em 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a 1ª posição entre os afastamentos acidentários por saúde mental, por atividade econômica, com 1.946 afastamentos e a 5ª posição entre os afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.

 

Fonte: Bancários PA com Contraf-CUT e Alepa

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