A massificação da agroecologia foi um dos temas centrais no 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em janeiro, em Salvador (BA). Para o MST, além de um modelo viável para a produção de alimentos saudáveis e superação da fome, a agroecologia é o caminho para frear a crise ambiental e humanitária global. Também é o modo de produção e de vida capaz de enfrentar o capitalismo e o imperialismo, responsáveis por este cenário.
“Reafirmar a agroecologia com perspectiva nesse momento é fundamental”, defende Diego Moreira, coordenador nacional do setor de produção do MST, ao Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato. Ele acrescenta que o movimento tem um avançado projeto de agricultura para o país.
“O projeto de agricultura sustentável que contesta a hegemonia do agronegócio coloca a agroecologia e a cooperação como centrais. Por duas perspectivas: o cuidado e a proteção da natureza, e o combate à fome”, explica Moreira.
O controle das sementes e das ramas dos animais de pequeno porte, por exemplo, também são temas centrais para a massificação da agroecologia, assim como a produção de comida saudável em escala – um processo industrial, porém cuidadoso. Outro tema é a mecanização adequada para o desenvolvimento das forças produtivas na agricultura, da reforma agrária, da industrialização, das energias renováveis, da comercialização e da terra e do território como elementos fundamentais.
“Por isso que a agroecologia também tem que ser pensada na perspectiva de escala, para enfrentar, como eu falei, o tema da fome no país. Já está demonstrado como a agroecologia vai resolver [a fome]: por meio da produção de alimentos em comunhão com a natureza. Esses temas, eles precisam ser inerentes e estar na ordem para avançarmos na massificação da agroecologia”, defende.
Moreira também defende que a “agroecologia é diversidade” e que no Brasil será aplicada essa ciência de acordo com cada bioma, região, de acordo com as características de solo, clima e vegetação de cada região. “Não se faz agroecologia no Cerrado como se faz no bioma Pampa ou como se faz na Amazônia”.
Segundo o coordenador nacional do setor de produção do MST, a agroecologia se torna a melhor alternativa porque, primeiro, preserva e cultiva a natureza como aspecto fundamental para a sobrevida humana. Segundo, garante o futuro, preparando as condições para as próximas gerações. E o terceiro aspecto é a produção de alimentos para combater a fome.
“Então, qualquer governo, organização ou instituição tem que se preocupar com isso como central. Como cuidar da natureza, como produzir alimento saudável de qualidade para nós termos uma humanidade mais sã do ponto de vista da sua saúde, psicológico e também do ponto de vista do seu comportamento social”, conclui.
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Fonte: Brasil de Fato