Nossa solidariedade aos parentes do Baixo, Médio e Alto Tapajós

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O Sindicato dos Bancários do Pará, enquanto entidade classista e representativa de uma categoria de trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro, e com uma diretoria de Meio Ambiente inédita, reafirma que sempre defendeu a luta e o diálogo como estratégias para a garantia de direitos. E quando não há respostas concretas, outras frentes precisam ser construídas. Foi exatamente isso que os povos indígenas das regiões do Baixo, Médio e Alto Tapajós fizeram ao intensificar a mobilização pela revogação total do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu empreendimentos hidroviários federais no Programa Nacional de Desestatização (PND), entre eles a Hidrovia do Rio Tapajós, no trecho entre Itaituba e Santarém.

Para a entidade sindical, qualquer obra ou iniciativa que afete total ou parcialmente uma população precisa garantir consulta prévia, escuta qualificada e diálogo aberto, com respeito aos territórios, aos modos de vida e às decisões das comunidades envolvidas.

Na quarta-feira (4/02), após o bloqueio da rodovia Fernando Guilhon, única via de acesso ao aeroporto de Santarém, o governo apresentou às lideranças a proposta de flexibilização do decreto, mas os povos mobilizados mantiveram a posição de que a medida é insuficiente: querem a revogação total.

Uma audiência ocorreu na tarde de quinta-feira (5/02), em Santarém, com representantes do Ministério dos Povos Indígenas e da Secretaria-Geral da Presidência da República, e não houve decisão. Hoje (06/02), ao meio-dia, está prevista uma nova reunião, dando continuidade às tratativas, com acompanhamento de representantes do Ministério Público Federal (MPF), conforme vem sendo relatado no processo de negociação.

Também é importante registrar que, ontem (5/02), segundo relatos das lideranças no local, um vereador eleito de Santarém avançou com um carro contra um indígena que estava à frente do bloqueio na rodovia, fato grave que exige apuração rigorosa e responsabilização, para que não se normalize qualquer forma de violência ou intimidação contra o direito de manifestação.

Em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o governo federal está em diálogo direto por meio do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Secretaria-Geral da Presidência da República e outros ministérios desde o início da mobilização.

Ainda segundo as informações divulgadas, o processo de licenciamento prevê mapeamento e consulta às comunidades indígenas e tradicionais durante a elaboração dos estudos ambientais. O Sindicato reforça: a consulta não pode ser promessa genérica, nem procedimento protocolar: precisa ser livre, prévia, informada e com respeito às decisões dos povos.

O Sindicato dos Bancários do Pará se solidariza com os parentes do Tapajós e segue acompanhando a situação, reafirmando o compromisso com a vida, com os direitos dos povos originários e com a defesa da Amazônia.

Sindicato dos Bancários do Pará com agências de notícias

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