Foram três dias de formação em preparação aos próximos 6 meses; é que nesse período, a categoria bancária de todo o Brasil vai viver mais uma Campanha Nacional; e aqui no Pará ela é ‘em dose tripla’.
“Além dos privados, Banco do Brasil e Caixa; aqui no nosso estado, temos as mesas específicas do Banpará, estadual; e do Banco da Amazônia, regional; ou seja, nossa luta é maior. A nossa organização começa hoje com a primeira formação do ano, é aqui que temos a oportunidade de construirmos juntos e juntas, a partir de falas e escutas, um calendário de mobilização que contemple bancários e bancárias do Pará”, destaca a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira.
Nos dias 13 e 14, mais de 60 delegados e delegadas sindicais, de todo o estado participaram do primeiro ‘Curso de Formação para dirigentes, delegados e delegadas sindicais’ do ano, na sede do Sindicato em Belém. Dia 12, houve um momento específico para a categoria do Banpará.
Há pelo menos 10 anos, o bancário do Banpará em Santarém, Marcelo Santos, atua como delegado sindical, e que cada novo mandato, uma nova experiência, outros desafios, especialmente e principalmente em ano de negociação com os banqueiros. “A gente sempre aprende algo novo. Quando a gente vem para cá para a formação, a gente consegue aprender e levar para os colegas sempre uma coisa nova. O que eu vejo que é mais importante de vir para cá para a formação é que a gente consegue pegar experiências de outras agências e consegue ver se são as mesmas angústias que a gente está tendo lá na nossa agência, e também compartilhar o que a gente conseguiu resolver lá para ajudar os outros colegas nas outras agências”, conta.
Edson Cruz, educador popular, abriu a formação que teve como inspiração outro educador, Paulo Freire. “O objetivo dessa dinâmica é a partir de um processo lúdico, participativo, que a gente consiga compreender o método de análise. Então, para isso, a gente lançou mão de uma técnica com triângulos, onde o objetivo era contar os números dos triângulos, mas havia ali triângulos escondidos, assim como na sociedade que a gente vive, que existem muitos triângulos escondidos e que às vezes a gente não consegue ver, porque a gente não consegue compreender a diferença entre a aparência e a essência das coisas; e isso é fundamental para quem é dirigente sindical, compreender a essência das coisas, aquilo que é essencial”, explica.
O desafio de novas formas de representação e organização
Em tempos da ‘era digital’ até o sindicalismo se reformulou e ampliou atuação das ruas para as redes, onde a comunicação interpessoal precisa ser clara, objetiva e atrativa para conquistar mentes e corações. “No segundo maior estado em extensão territorial do país, as redes sociais são uma ferramenta potente para dar visibilidade à nossa luta e ganhar apoiadores. Curtir, comentar e principalmente compartilhar faz parte dessa construção quando não conseguimos chegar presencialmente e a tempo em toda a base”, comenta a especialista em economia do trabalho e sindicalismo, Janaína Meazza.
Pesquisa Vox Populi (2025/2026) indica que cerca de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros consideram os sindicatos importantes para defender direitos e melhorar salários. O estudo, que entrevistou 3.850 pessoas, destaca o valor da mediação sindical (67,1%) e o apoio ao direito de greve (mais de 70%), apesar de uma baixa taxa de sindicalização atual (11,4%) e desconhecimento das ações concretas por 52,4% dos entrevistados e entrevistadas.
Para além do movimento sindical
Antes, o secretário de Mobilização e Relação com os Movimentos Sociais, Milton Rezende (Miltinho) destacou sobre a necessária unidade das lutas populares e sindicais. “Com os movimentos sociais, com as centrais sindicais, uma campanha de mobilização no país que tem alguns gestos que são prioritários para nós e que dialogam com a vida da classe trabalhadora, como a violência contra a mulher. Isso não é uma tarefa das companheiras, isso é uma tarefa nossa, homens, temos que estar na rua lutando, debatendo e pautando esse tempo. Nós estamos também pautando e construindo uma campanha pela redução da jornada de trabalho para 40 horas ou 36, sem redução salarial e o fim da jornada 6×1 que tem muita visibilidade na população, pois gera muito mais que emprego, gera qualidade de vida, gera a possibilidade daquela pessoa ter tempo para estudar, ter tempo para fazer política, ter tempo para o ócio”, ressalta.
De acordo com levantamento realizado pela economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicatis e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp, uma possível redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanas poderia criar até 4,5 milhões de novos empregos e elevar em 4% os níveis de produtividade no Brasil.
Além disso, segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho), entre os países do G20 o Brasil é o sétimo país com maior média de horas trabalhadas por semana. Já as dez maiores economias do mundo, considerando-se o PIB, apenas na China e na Índia os trabalhadores e trabalhadoras possuem médias de horas trabalhadas semanais superiores à do Brasil. Se considerados os dez países com melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), em nenhum deles a média de horas semanais trabalhadas é superior a brasileira.
Fonte: Bancários PA com agências de notícias