Nesta segunda-feira, 9 de março, o Sindicato dos Bancários do Pará organizou uma roda de conversa sobre enfrentamento à violência contra as mulheres. A atividade reuniu trabalhadoras e trabalhadores do complexo do Banpará, com um coquetel organizado pelos homens e também sorteio de brindes. A roda de conversa contou com a presença da diretora de Mulheres do Sindicato, Salete Gomes, e das advogadas Marcelle Oliveira e Rosiani Trindade, assessoras jurídicas do Projeto Basta! Não irão nos calar.
A roda de conversa integrou as atividades de reflexão e conscientização sobre os desafios enfrentados pelas mulheres nos espaços de trabalho e na sociedade, trazendo informações sobre direitos, tipos de violência e os mecanismos de proteção previstos na Lei Maria da Penha.
Durante o encontro, Marcelle Oliveira destacou que, embora as mulheres tenham conquistado mais espaço em diferentes áreas do mundo do trabalho, os desafios ainda são profundos, especialmente quando se trata da garantia da própria vida.
“As mulheres estão ocupando espaços que não foram construídos para nós, espaços que historicamente não foram pensados para a nossa presença. Mas hoje o nosso desafio vai além da igualdade salarial ou da ocupação desses lugares. É garantir que as próximas gerações de mulheres estejam vivas. Estamos falando das nossas filhas, sobrinhas, colegas, das mulheres que colocamos no mundo”, afirmou.
A advogada também ressaltou que, mesmo com a existência da Lei Maria da Penha há quase duas décadas, os números da violência contra as mulheres continuam alarmantes, o que reforça a necessidade de ampliar o debate e as redes de apoio.
Marcelle compartilhou ainda situações acompanhadas pelo Projeto Basta!, mostrando como a violência doméstica pode atingir mulheres em diferentes posições profissionais.
“Já atendemos casos de mulheres com cargos importantes, com muitos anos de banco, que viviam um processo intenso de controle dentro de casa. Mesmo sendo quem sustentava a família, tinham toda a sua vida financeira e pessoal controlada pelo companheiro. Muitas vezes essas mulheres estão sobrecarregadas com trabalho, metas e cuidados com a família, o que torna ainda mais difícil buscar ajuda”, relatou.
Outro ponto abordado na roda de conversa foi a violência patrimonial, muitas vezes invisibilizada. A advogada Rosiani Trindade explicou que esse tipo de violência ocorre quando o agressor controla ou se apropria de recursos financeiros da mulher, causando prejuízos econômicos e dificultando sua autonomia.
“Há casos em que a mulher faz empréstimos ou assume dívidas para ajudar o companheiro e, após o término da relação, ele simplesmente diz que não tem responsabilidade nenhuma, porque a dívida está no nome dela. Isso também é uma forma de violência patrimonial, prevista na Lei Maria da Penha”, explicou.
Rosiani também destacou que a legislação prevê diferentes medidas protetivas, que podem ser acionadas para proteger as vítimas, incluindo afastamento do agressor do lar ou do local de trabalho, uso de tornozeleira eletrônica e proteção para filhos e filhas quando há risco de violência indireta.
A diretora de Mulheres do Sindicato dos Bancários do Pará, Salete Gomes, reforçou que o combate à violência contra as mulheres exige ação coletiva e o fortalecimento das políticas públicas.
“Nós não queremos substituir o papel do Estado, mas ser complementares a ele. Existem políticas públicas que precisam existir e melhorar, e isso só acontece quando a sociedade se organiza, participa e cobra. Se uma mulher vai a uma delegacia e não é bem atendida, ela precisa denunciar, procurar a ouvidoria. É assim que conseguimos avançar”, afirmou.
Salete também ressaltou que viver com medo ainda é uma realidade para muitas mulheres e que é necessário transformar essa situação.
“Primeiro precisamos garantir que as mulheres vivam. Depois, que possam viver em paz, sem culpa e sem medo. Não tem nada pior do que viver com medo: medo de andar na rua, medo da roupa que veste, medo do que vai dizer, porque tudo pode ser usado para justificar uma violência ou até um feminicídio”, destacou.
Ela também chamou atenção para a necessidade de envolver os homens no enfrentamento à violência de gênero.
“Todos os feminicídios são cometidos por homens. Por isso, esse debate precisa envolver toda a sociedade. As mulheres já lutaram muito, estamos cansadas, mas não vamos parar. E é fundamental que mais homens se envolvam nessa discussão”, disse.
O papel do Sindicato no enfrentamento à violência contra as mulheres
O Sindicato dos Bancários do Pará tem atuado de forma permanente na defesa dos direitos das mulheres da categoria, promovendo debates, ações de conscientização e apoio às vítimas de violência.
A entidade também integra iniciativas como o Projeto Basta! Não irão nos calar, desenvolvido pelo movimento sindical bancário, que oferece orientação jurídica gratuita e acolhimento às mulheres em situação de violência.
Para o Sindicato, defender a categoria bancária também significa defender a vida, a dignidade e os direitos humanos das mulheres, fortalecendo redes de apoio e ampliando o debate dentro e fora dos locais de trabalho.
Fonte: Bancários Pará.