Sucesso do cinema nacional é consequência de políticas públicas, destaca pesquisadora e crítica de cinema

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A conquista de dois troféus na premiação do Globo de Ouro, no domingo (11), aumenta a expectativa para que O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, repita a conquista de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. A possível “dobradinha” só é uma possibilidade viável graças a políticas públicas de cultura, na avaliação da crítica de cinema e pesquisadora Lorenna Montenegro.

Em entrevista nesta segunda-feira ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Montenegro, que já integrou o corpo de votantes do Globo de Ouro, destacou especialmente o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o principal mecanismo de fomento ao cinema no Brasil.

“A gente tem boa parte da produção audiovisual brasileira ainda sendo financiada por iniciativa pública. Claro que tem acordos internacionais e coproduções, mas essa é nossa realidade. Apesar dos quatro anos que a gente teve de retrocesso, com pouquíssimos editais sendo lançados, com o FSA sendo esvaziado pelo anterior ministro da Economia, a gente conseguiu sobreviver a todos esses revezes. E o resultado está aí”, disse, em referência aos cortes no setor durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e seu “superministro” Paulo Guedes.

Assim como Ainda Estou Aqui, o filme de Kleber Mendonça Filho chegou à temporada de premiações nos Estados Unidos após grande reconhecimento da crítica em festivais como os de Veneza, Cannes e Berlim. A especialista acredita que O Agente Secreto é, hoje, o favorito para levar o Oscar de Melhor Filme Internacional.

“O Brasil vai entrar em um grupo muito seleto, e tenho fé que isso vai acontecer”, apostou Montenegro em relação à possível conquista de dois Óscares seguidos na categoria. “É um grupo que a França, a Itália, o Japão, a Dinamarca e a Suécia fazem parte. Minha torcida está nessa direção, que se consolide essa carreira de O Agente Secreto, e que no próximo ano a gente tenha, na próxima temporada, não um, mas dois filmes. Que a gente continue tendo esse alcance internacional”, afirmou, defendendo a continuidade dos investimentos públicos na cultura do país.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

 

Fonte: Brasil de Fato

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