Projeto articula relação entre povos indígenas e movimento sindical, nesta sexta, 20

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Na próxima sexta-feira (20), a CUT, por meio de sua Secretaria de Economia Solidária, e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (CONDSEF) lançarão o projeto “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho”. A iniciativa é construída em parceria com entidades sindicais, movimento indígena, organizações da economia solidária e instituições públicas voltadas ao fomento de ações de organização econômica de povos indígenas.

A proposta reforça as resoluções aprovadas no último congresso da CUT, que buscam ampliar a compreensão do movimento sindical sobre a diversidade do mundo do trabalho. O diálogo com os povos indígenas nasce da possibilidade de fortalecimento de suas iniciativas produtivas em diálogo com a economia solidária. O projeto pretende aproximar realidades, fortalecer relações e construir agendas comuns entre diferentes formas de organização do trabalho.

O seminário de lançamento, a ser realizado na sede da CUT, em São Paulo, contará com a participação de representantes das diversas entidades parceiras confirmadas, incluindo CUT Brasil, CONDSEF, APIB, FUNAI, SENAES/MTE e UNISOL Brasil, além da ministra dos Povos Indígenas (MPI), Sonia Guajajara, e da deputada federal Juliana Cardoso (PT/SP), presidenta da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados.

O projeto em podcast

A iniciativa da CUT e da CONDSEF foi tema do mais recente episódio do podcast Estúdio CUT, que traz um bate-papo com Admirson Medeiros Ferro (Greg), secretário de Economia Solidária da CUT, e Mônica Carneiro, secretária de Comunicação e Imprensa da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Serviço Público Federal (CONDSEF). Eles explicam o projeto passo a passo, contam as razões que levaram a CUT a elaborar a iniciativa e falam sobre o seminário.

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Economia solidária como ponto de encontro

Durante o episódio, Greg explicou que o projeto nasceu da necessidade de a CUT repensar sua atuação diante de um mundo do trabalho cada vez mais diverso. Segundo ele, a criação da Secretaria de Economia Solidária da Central abriu caminho para iniciativas que dialogam com outras formas de produção e organização da classe trabalhadora.

“Esse projeto se soma a essas decisões tomadas no Congresso, porque é um projeto com o qual a gente está dialogando para tentar não só compreender, mas ampliar as relações entre o mundo do trabalho que nós representamos e o mundo do trabalho dos povos indígenas”, afirmou.

A iniciativa parte do entendimento de que os povos indígenas possuem formas próprias de organização do trabalho, muitas delas alinhadas aos princípios da economia solidária, como autogestão, cooperação, sustentabilidade e produção coletiva.

Construção coletiva e articulação nacional

O projeto reúne uma ampla rede de parceiros. Além da CUT e da CONDSEF, participam a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), a Unisol Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas, a FUNAI, a SENAES e organizações internacionais.

Mônica Carneiro destacou que a proposta começou a ganhar forma a partir de debates realizados durante a COP30, em Belém, quando entidades sindicais e lideranças indígenas aprofundaram o diálogo sobre pautas comuns.

“Esse projeto nasceu da necessidade de a gente buscar uma interlocução maior entre o movimento sindical brasileiro e o movimento indígena, para construir agendas políticas comuns com o viés da economia solidária”, explicou.

Três eixos estruturantes

A iniciativa está organizada em três eixos principais, que orientam suas ações ao longo dos próximos anos.

O primeiro eixo trata da comercialização de produtos indígenas. A proposta é estruturar a formação de cestas com produtos oriundos dos seis biomas brasileiros, criando canais de comercialização e consumo a partir da articulação com as entidades sindicais.

“A ideia é de que, a partir da produção indígena, a gente monte cestas dessas produções para que os sindicatos adquiram e também ofereçam para sua base de trabalhadores”, detalhou Greg.

O segundo eixo é o circuito “Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho”, que prevê debates, visitas de sindicalistas aos territórios indígenas e exposições fotográficas. A iniciativa busca dar visibilidade às formas de produção indígena e às suas lutas.

Já o terceiro eixo prevê a produção de uma publicação, reunindo reflexões, experiências e dados coletados ao longo do projeto, contribuindo para sistematizar esse processo de diálogo.

Território, direitos e mundo do trabalho

Para além da dimensão econômica, o projeto também se insere em um debate mais amplo sobre direitos, territórios e soberania. Segundo Mônica, compreender o trabalho indígena passa necessariamente pela defesa dos territórios e das condições de reprodução social dessas populações.

“Os territórios indígenas são a base material para a reprodução do trabalho das atuais e futuras gerações indígenas, de acordo com seus próprios métodos”, afirmou.

Ela também destacou a importância de enfrentar a visão que separa os povos indígenas da classe trabalhadora, reforçando que há múltiplas formas de produzir e organizar o trabalho.

“A gente pensou no projeto como uma forma de fortalecer essa desconstrução da imagem dos povos indígenas como coletividades apartadas da classe trabalhadora”, disse.

Movimento sindical e agenda indígena

Outro destaque do episódio é o papel do movimento sindical nesse processo. A proposta é ampliar o engajamento das entidades filiadas à CUT na defesa dos direitos dos povos indígenas e na construção de iniciativas conjuntas.

Para Greg, essa aproximação é estratégica. “A pauta dos povos indígenas tem que ser uma pauta do movimento sindical. Já é, mas precisa ser intensificada”, afirmou.

Nesse sentido, o projeto também dialoga com temas como demarcação de terras, proteção ambiental e soberania nacional, inserindo essas questões na agenda mais ampla da classe trabalhadora.

Lançamento e desdobramentos

O lançamento do projeto, no dia 20 de março, será o primeiro grande momento público da iniciativa. A expectativa é reunir representantes do movimento sindical, lideranças indígenas e parceiros institucionais para dar início às atividades.

A partir daí, será desenvolvido um calendário nacional, com ações em diferentes estados, incluindo exposições, debates, visitas a territórios indígenas e articulação de redes de comercialização.

Entre os destaques da agenda está a participação no Acampamento Terra Livre, em Brasília, principal mobilização indígena do país, além de atividades já previstas em estados como Ceará, Mato Grosso do Sul, Amapá e Santa Catarina.

Ao longo desse processo, a iniciativa pretende não apenas fortalecer a economia solidária, mas também ampliar o diálogo político entre diferentes sujeitos do mundo do trabalho, reconhecendo sua diversidade e construindo caminhos comuns.

Fonte: CUT Brasil

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