Um estudo da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego, revela que 87% das mulheres resgatadas de condições análogas à escravidão em 2025 se autodeclararam negras. O levantamento traça o perfil das trabalhadoras retiradas de situações de exploração ao longo do ano passado no Brasil.
De acordo com o estudo, as mulheres corresponderam a 14% do total de pessoas resgatadas do trabalho escravo contemporâneo em 2025, um dos índices mais altos desde o início da série histórica, em 2003, quando os dados passaram a incluir recorte de gênero.
O levantamento foi elaborado a partir de dados das guias de Seguro-Desemprego emitidas por auditores-fiscais do trabalho para 395 mulheres resgatadas em operações que identificaram condições análogas à escravidão.
As informações mostram que a maioria das vítimas atuava no setor de serviços e comércio: cerca de 81% trabalhavam como vendedoras ou prestadoras de serviços. Já 15% estavam em atividades agropecuárias, enquanto 4% atuavam na indústria.
Uma das principais operações ocorreu durante o Carnaval da Bahia em 2025, quando fiscais identificaram a exploração de trabalhadores ambulantes. A ação resultou no resgate de 205 mulheres e 98 homens que comercializavam produtos durante a festa.
Os dados também indicam forte concentração regional. Aproximadamente 74% das mulheres resgatadas viviam no Nordeste, sendo que 60% estavam em Salvador (BA). No Sudeste, estavam 16% das vítimas, e no Sul, 5%.
Faixa etária
Em relação à idade, a faixa predominante foi de 40 a 49 anos, representando 24% do total. Quanto à escolaridade, 31% tinham até o ensino médio completo.
Além da maioria de mulheres negras, o levantamento aponta que 4% das trabalhadoras se autodeclararam indígenas e 9% brancas.
Ampliação do combate ao trabalho escravo
Para a auditora-fiscal do Trabalho e coordenadora-geral de fiscalização para erradicação do trabalho análogo ao de escravizado e tráfico de pessoas da SIT, Shakti Borela, os dados refletem uma ampliação do foco das ações de combate à exploração. Segundo ela, embora ainda haja maior incidência de homens resgatados, sobretudo em áreas rurais, cresce a atenção sobre atividades urbanas e setores com maior presença feminina.
A coordenadora destaca que áreas como o comércio ambulante, o trabalho doméstico remunerado e situações de exploração sexual exigem monitoramento constante.
O Ministério do Trabalho reforça que denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa por meio do Sistema Ipê, plataforma oficial destinada ao registro desse tipo de ocorrência no país.
Fonte: CUT Brasil com informações do Repórter Brasil e Alma Preta Jornalismo*