Sindicato envia ofício ao vereador de Bragança João Paulo (PP), solicitando reconsideração em suas colocações públicas, no que diz respeito à responsabilização dos empregados da Caixa Econômica do município.
O Sindicato dos Bancários do Pará vem a público retificar algumas informações inverídicas amplamente divulgadas pelo vereador João Paulo Silva de Sousa (PP) e compartilhadas em rádio e redes sociais de comunicadores de Bragança, nordeste paraense, a respeito das longas filas que se formam ainda pela madrugada em frente à Caixa Econômica Federal, o que infelizmente não é realidade exclusiva no município; e muito menos culpa dos bancários e das bancárias, como o membro da Câmara Municipal afirma quando se refere à distribuição de senhas depender da “boa vontade dos funcionários”.
Primeiro, o horário de funcionamento dos bancos é regulado pelo Banco Central do Brasil, das 10h às 16h, na maioria das cidades brasileiras e conforme fuso horário. A distribuição de senhas serve para controlar e organizar o acesso às agências dentro do horário de expediente bancário e quem procura por atendimento nesses horários, e o tipo de serviço sendo ofertado pela instituição, será atendido por um bancário ou bancária.
A Caixa Econômica por ser um banco público, desempenha um atendimento diferenciado das demais instituições financeiras, essencial para o desenvolvimento social e econômico do país, sendo responsável por uma série de serviços indispensáveis, tais como o pagamento de benefícios sociais, financiamentos habitacionais e apoio a projetos de infraestrutura. Por conta disso, a demanda é consideravelmente maior que nos outros bancos e aumenta próximo a datas de pagamentos, ocasionando as filas e esperas diante do quantitativo de bancários e bancárias que se empenham em oferecer o melhor atendimento à população.
As filas, bem com a demora são problemas que refletem a necessidade de contratação de mais profissionais para a categoria, e a cobrança deve ser feita às direções dos bancos, pauta permanente nas mesas de negociação e mobilizações deste Sindicato.
Tal déficit do emprego bancário é comprovado em estudos. No ano passado, na contramão do mercado de trabalho geral no Brasil que gerou quais 1,7 milhões de empregos, o setor bancário fechou 6.198 postos de trabalho em 2024, destes, 3.198 somente na Caixa Econômica; o que mostra a falta de compromisso social do setor mais lucrativo da economia com o desenvolvimento do Brasil. Os dados são da Pesquisa do Emprego Bancário elaborada pelo Dieese, com base no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Ademais, o Sindicato exige respeito para com a categoria e destaca que declarações dessa natureza, como as do vereador, impactam negativamente a categoria bancária, criando um ambiente de insegurança entre a população e os empregados e empregadas do setor financeiro; além de expor esses trabalhadores e trabalhadoras a situações de pressão e constrangimento, comprometendo a dignidade profissional e saúde mental.
Ofício enviado ao gabinete do vereador.
Fonte: Bancários Pará