Quinta-feira, 20 de agosto de 2026, o dia em que bancários e bancárias do Pará cruzaram os braços por valorização salarial, profissional e melhores condições de trabalho.
“Até agora nós não tivemos uma proposta concreta de reajuste salarial para a categoria. Os 5 maiores bancos lucraram 171 bilhões de reais no ano passado. É esse setor que chora miséria na mesa de negociação e não apresenta nem como primeira proposta a reposição da inflação. Foi isso que levamos para a assembleia de segunda-feira quando mais de 93,56% da categoria de todo o Pará aprovou a paralisação no dia de hoje”, destaca a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira, membra do Comando Nacional.
Ontem (19), a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) retirou as propostas de reajustes por faixas salariais, fragmentação do aumento dos vales refeição e alimentação entre cidades maiores e menores, e de congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e bancárias. Apesar do recuo, a representação dos bancos não apresentou nenhuma proposta de índice de reajuste.
“Não podemos aceitar tamanho desrespeito, pois quem constrói esses resultados dos bancos são os trabalhadores e trabalhadoras que diariamente estão ali batendo ponto e fazendo seu trabalho. Não se iludam com pisos e vidraças brilhantes, o que acontece nos locais de trabalho é muita pressão, humilhação, controle. Nós do Sindicato, passamos o ano inteiro emitindo CAT para bancário e bancária ranqueado, exposto quando não bate uma meta”, lembra a dirigente sindical.
Em 2024, a categoria bancária representou 25% do total de afastamentos acidentários por doença mental pelo INSS. Os transtornos mentais são, inclusive, responsáveis por mais da metade dos afastamentos na categoria.
Por todo o Pará
“Hoje é o dia de mobilização geral, paralisação geral. Já passei ali me solidarizando com o pessoal do Banpará. Além disso, eu estou aqui no Bradesco, porque essa luta é de todos.Todos nós somos bancários e todo mundo aqui merece, sim ter os seus direitos atendidos, as reivindicações atendidas. Então, vem pra luta, porque essa luta é de todos, pra arrancar o que nos é de direito. A gente precisa estar aqui, engrossando esse caldo, viu? Então, vem pra cá, ventimbora”, convoca a bancária da Caixa Ver-o-Peso, Arlanza Lopes.
Com faixas, adesivos de paralisação e blusas que estampam o mote da Campanha Nacional 2026 “Feitos de esperança, movidos pela luta”, bancários e bancárias por todo o Pará se concentravam em frente aos seus locais de trabalho convencendo outros colegas à aderirem ao movimento ou explicando os motivos da mobilização para a população.
“Nosso intuito não é que as agências estejam vazias como estão aqui hoje, nós queremos elas cheias, clientes sendo bem atendidos, bancários e bancárias trabalhando com qualidade e salários dignos. Por isso também pedimos o apoio e a compreensão da população, pois as nossas reivindicações não são só por melhorias só para gente, elas refletem também no atendimento à população”, explica a diretora da subsede em Santarém, Rafaela Carletto.
Por lá, todas as agências do Itaú amanheceram fechadas.
Já do outro lado do Pará, em Marabá, região sudeste, 100% das agências não abriram. “Esperamos que isso reflita na mesa da Fenaban e que a gente tenha logo mais um chamado para uma nova negociação; e realmente venham propostas que a gente possa trazer para a categoria. Agradecemos todos os bancários e bancárias que nos apoiaram, que estão do nosso lado, tanto de bancos públicos quanto de privados”, afirma a dirigente da subsede na região, Heidiany Moreno.
Pode ter greve
“Fica o alerta à população, se nós não tivermos uma mudança de postura da patronal, na mesa da Fenaban, nós podemos deflagrar greve por tempo indeterminado. Não é nosso objetivo, mas se não tivermos proposta decente, com reajuste e ganho real, a greve vem”, garante Tatiana Oliveira.
Na próxima segunda-feira (24), serão retomadas as negociações entre Comando Nacional e representantes dos bancos, na capital paulista.
Fonte: Bancários PA