Indígenas ocupam coordenação da Funai no Pará contra projeto da Belo Sun: ‘Medo da contaminação’

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Cerca de 100 indígenas de três etnias estão acampados há dez dias na Coordenação Regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Altamira (PA).

A mobilização, organizada pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio-Xingu, exige a suspensão imediata das atividades da empresa Belo Sun Ltda e denuncia a morosidade do Estado na garantia dos direitos dos povos da área de influência do empreendimento.

A luta dos indígenas é contra uma proposta ousada, o projeto Volta Grande de Ouro, no município paraense de Senador José Porfírio, na região de Altamira. Ali, a mineradora canadense pretende abrir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil em uma área que já sofre os impactos de outro projeto grandioso: a hidrelétrica de Belo Monte, cuja instalação afetou o fluxo de água do rio Xingu.

Em 2025, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) multou a empresa Norte Energia SA por “causar danos à biodiversidade em áreas de desova [de peixes], por via da prática de vazões defluentes maiores que previsões na outorga”, na região de Volta Grande do Xingu, no trecho de vazão reduzida da usina de Belo Monte.

“Já temos pouca água, tanto que a gente está perdendo a piracema”, conta a indígena Sol Juruna, moradora da terra indígena Paquiçamba, no município de Vitória do Xingu (PA), na zona de impacto do empreendimento da Belo Sun. A piracema é o período de reprodução dos peixes, essencial para a alimentação dos habitantes daquela região.

Sol é uma das manifestantes que está, há dias, no prédio da Funai em Altamira. Com ela, estão outros indígenas das etnias Juruna, Xikrin e Arara da Cachoeira-seca.

Alguns viajaram por três dias de barco para chegar até lá. “Tem que lotar a voadeira [pequena embarcação]para poder vir aqui, porque eles [a Funai]também têm que ver números para poder acreditar que a gente está lutando por alguma melhoria”, diz.

Esta é a segunda vez que o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio-Xingu organiza uma ocupação na coordenação da Funai em menos de três meses. Em dezembro de 2025, representantes de seis territórios indígenas passaram uma semana no local.

“Fizemos um acordo, acreditamos que [a Funai]iria fazer alguma coisa, que iria ter um posicionamento forte contra a Belo Sun, mas nunca fizeram. Por isso a gente retornou”, lamenta.

Em uma carta-manifesto publicada em 23 de fevereiro, o Movimento de Mulheres Indígenas do Médio-Xingu alerta que a licença ambiental de instalação da mineradora ocorreu sem a realização da consulta prévia, livre e informada.

Esse mecanismo, estabelecido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), possibilita que povos e comunidades tradicionais participem das tomadas de decisão sobre atividades que possam causar danos em seus territórios. Além da exclusão de comunidades na consulta, os indígenas acreditam que os impactos foram minimizados no processo de licenciamento.

 

Fonte: Brasil de Fato

 

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