Pelo direito de viver, pelo fim da escala 6×1, pela soberania dos povos, contra a transfobia e o imperialismo, mulheres saem às ruas no #8M

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“Mulheres Vivas!” Esse foi o principal pedido que ecoou nas faixas, cartazes e falas no Dia Internacional de Luta das Mulheres, em Belém e em todo o Brasil, diante do aumento expressivo de crimes de violência contra elas.

Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, os crimes de violência contra as mulheres cresceram 76% no estado do Pará, entre 2024 e 2025. O aumento foi o maior entre os nove estados monitorados. Os crimes que vão de estupros, feminicídio a ameaças, entre outros, saltaram de 388 para 683 em um ano. O dado foi revelado no novo boletim ‘Elas Vivem: a urgência da vida’, divulgado na última sexta-feira (6).

A primeira morte por feminicídio registrada no Brasil neste ano foi de uma paraense, Bruna Aline Rodrigues de Souza foi assassinada na madrugada de 1º de janeiro, em Bom Repouso (MG), na frente dos filhos. O principal suspeito é o ex-companheiro dela. Bruna tinha 27 anos, quatro filhos e uma trajetória de recomeços. Saiu do Pará para tentar uma nova vida em Minas, passou pelo Paraguai e voltou para Bom Repouso.

Ao todo o estado da região Norte contabilizou 138 mortes de mulheres (feminicídio, homicídio e transfeminicídio). O Pará também teve alta de 167,4% nos casos de violência sexual como o estupro, sendo que 62,8% das vítimas tinham entre 0 e 17 anos. Os dados são produzidos a partir de um monitoramento diário do que circula nas mídias sobre violência e segurança.

“Por nós, pelas que vieram antes de nós e pelas que virão depois. Na luta em defesa da soberania, dos povos, dos territórios e dos corpos das mulheres. O enfrentamento ao feminicídio e à misoginia que é uma construção social, mas também é exercida pelos homens. Então nós estamos aqui para dizer da importância de envolver os homens nesse processo de luta. Nós queremos também dizer da importância do Pacto Nacional do Enfrentamento ao Feminicídio e dizer que é importante, de as mulheres e os homens também, exercermos o controle social das políticas públicas para que elas funcionem. E garantir a eleição de homens e mulheres comprometidos com a nossa luta, e principalmente pelo fim da escala 6×1, uma escala 6×1 que escraviza a nós mulheres”, destaca a diretora de Mulheres do Sindicato, Salete Gomes.

Apesar de estarem presentes em menor número, homens também caminharam junto com as mulheres que saíram da Escadinha do Cais do Porto até à Praça da República. Um deles foi o superintendente da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Pará, Paulo Gaya. “O movimento feminista não é só de mulheres, é principalmente de mulheres por serem vítimas, mas o movimento feminista é um movimento por uma nova sociedade e os homens têm que abrir mão do machismo e participar dessa construção do novo; e o novo se resume em algumas palavras: respeito, amor, fraternidade, uma condução justa de relações entre homens, mulheres, entre trans, entre homossexuais. Respeito para todas as relações”, afirma.

Com o lema “Todos Por Todas”, em fevereiro deste ano, foi assinado ‘O Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio’, uma iniciativa conjunta dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) para combater a violência letal contra mulheres, além da prevenção, proteção, apuração e responsabilização, com ações integradas, como monitoramento de agressores e uso da inteligência.

Santarém

Pelo fim da escala 6×1

‘Nós precisamos de ter mais vida além do trabalho. Então hoje, neste 8 de março, nós erguemos a nossa voz, a nossa resistência, a nossa unidade em Belém e vários polos do estado do Pará e em todo o Brasil pra dizer: parem de nos matar. Parem de nos violentar, de nos estuprar, parem de tentar todo tipo de violência contra a mulher. E queremos também dizer que os homens, que os companheiros que têm a alma progressista, democrata, que se juntem às mulheres para barrar a violência; que se juntem às mulheres e às organizações feministas contra o assassinato e o feminicídio. Eu também não poderia deixar de dizer que é necessário que nós barremos esta monstruosa escala 6×1, que parece ter 6 dias de trabalho e 1 de folga, mas para as mulheres é 7 a 0, porque são 7 dias de trabalho. Muitas companheiras não estão hoje aqui, porque estão com seus filhos na UPA, outras estão cuidando dos doentes; essa é a realidade das mulheres”, denuncia a vice-presidenta do Sindicato e presidenta da CUT-PA, Vera Paoloni.

Pesquisas revelam que enquanto homens dedicam em média 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior.

A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5×2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer.

Pela soberania dos povos do Tapajós

Em Santarém, no oeste do Pará, mulheres também saíram ás ruas, e por lá a soberania dos povos do Tapajós teve destaque. Após um mês de manifestações de povos indígenas, incluindo bloqueios na área da Cargill e no aeroporto de Santarém, o governo federal revogou o Decreto nº 12.600/2025 que previa estudos para concessão privada de dragagem nos rios Madeira, Tocantins e Tapajós.

Pelo acolhimento de vítimas da violência doméstica e obstétrica

Já em Marabá, sudeste paraense, a mobilização do #8M foram em dois pontos da cidade, com panfletagem e marcha para exigir uma secretaria de mulheres para o município e também rede de apoio para as mulheres que denunciam os crimes contra elas e justiça para as que faleceram por violência obstétrica e familiar em Marabá e região.

Marabá

“É importante a gente lembrar que esse dia nasce com a morte de várias mulheres em uma fábrica. Hoje é dia de a gente levantar a nossa bandeira por direitos, por igualdade, por equidade e principalmente por respeito. Eu gostaria de lembrar que aqui em Marabá nós temos uma forma específica de violência contra as mulheres que é a violência obstétrica que mata, ceifa a vida das mães e bebês. Nós temos um índice de mortalidade materna de 39% a mais que o estado do Pará e 45% de mortalidade neonatal a mais que o estado do Pará, por isso nós precisamos ter uma saúde de qualidade para as mulheres, porque isso é violência. E para enfrentar esse problema, nós precisamos inscrever o Hospital Materno Infantil na rede Aline. Não dá mais para que um hospital de Marabá e toda a região não ser cadastrado no maior programa de combate à mortalidade materna que nós temos no Brasil”, ressalta a diretora de meio ambiente do Sindicato, Heidiany Moreno, e também presidenta do Instrelas – Instituto Elas Resistem.

A Rede Aline é a nova estratégia do Ministério da Saúde, lançada em 2024 para substituir e aprimorar a Rede Cegonha, focada na atenção integral à saúde materna e infantil, desde o planejamento reprodutivo até o pós-parto e o crescimento da criança.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Bancários PA com agências de notícias

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