No Brasil, feminicídio atinge principalmente mulheres negras

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As mulheres negras são as maiores vítimas de feminicídio no Brasil. Relatório divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que elas representam 62% dos casos, o que corresponde a mais de 3.500 mulheres negras mortas em razão do gênero.

“É uma estatística triste, de um Brasil que ainda vê nós, mulheres negras, como objeto de desejo e descartável”, analisa Rosana Silva, secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, sobre a banalização dos corpos pretos, os maiores impactados pelas violências.

Para a dirigente, o dado alarmante demonstra a importância do desenvolvimento de políticas públicas específicas para essas mulheres. “Temos as estatísticas, mas precisamos de políticas efetivas, de escolas onde a questão do gênero e raça seja debatida. Políticas de saúde que cuidem das especificidades das mulheres negras para que elas sejam acolhidas quando vão buscar atendimento em postos de saúde, delegacias e assistência social, e não sofram racismo”, aponta.

Foram 5.729 registros de feminicídios ocorridos entre 2021 e 2024. Apenas em 2025 o país contabilizou 1.568 vítimas, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. O levantamento destaca, ainda, que 8 em cada 10 feminicídios foram cometidos pelo ex ou atual parceiro íntimo e, na maioria dos casos, aconteceram dentro de casa.

“Isso revela como machismo, racismo e desigualdade caminham juntos. Metade dos casos acontece em cidades pequenas, onde quase não há estrutura de proteção, só cerca de 5% têm delegacia da mulher”, comenta a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Marcia Viana.

Para mudar essa realidade, movimentos sindicais e sociais têm um papel central. “Nos locais de trabalho, os sindicatos podem acolher, orientar e denunciar a violência, além de pressionar por direitos e proteção às trabalhadoras”, reflete Marcia.

O engajamento dos sindicatos no debate também é defendido por Rosana. “Precisamos de campanhas permanentes nos sindicatos e nos órgãos que temos espaços, para conscientizar sobre a violência contra a mulher negra que, infelizmente, se estende para diversos campos da vida, incluindo o ambiente de trabalho”.

Já os movimentos sociais são fundamentais para mobilizar a sociedade e exigir políticas públicas, como mais delegacias da mulher, casas-abrigo e investimento em prevenção.

“Sem pressão social e organização coletiva, essa realidade não muda. Fortalecer a luta das mulheres, e as políticas públicas é parte do caminho para enfrentar e romper o ciclo da violência”, finaliza Marcia.

 

Fonte: CUT SP

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