Bancários e bancárias do Banco do Brasil no Pará participaram, nesta terça-feira (19), do 18º Encontro Estadual do BB, atividade preparatória da Campanha Nacional 2026. O encontro reuniu o funcionalismo para debater os principais desafios enfrentados no estado e construir propostas que serão levadas ao debate nacional da categoria.
O secretário-geral da Contraf-CUT, Gustavo Tabatinga destacou que a categoria vive um cenário de mudanças constantes, com impactos no cotidiano das agências e na vida das e dos trabalhadores. Segundo ele, um dos temas centrais para o funcionalismo do Banco do Brasil é a Cassi, que precisa ser acompanhada, defendida e revisada permanentemente.
“A Cassi tem um viés solidário que precisamos preservar. O Relatório Anual de 2025 fala a verdade e deve ser aprovado. Precisamos de uma solução que mantenha a Cassi para os associados”, afirmou. Gustavo também destacou que o Banco do Brasil tem responsabilidade sobre a situação da Caixa de Assistência e lembrou que, segundo dados do Dieese, o BB está em melhor condição na relação entre despesas e receitas quando comparado a outros bancos.
Outro ponto levantado foi a lógica de cobrança por metas e resultados, associada à remuneração variável, apontada como uma das causas do aumento da pressão e do adoecimento da categoria. Para Gustavo, não há solução individual para problemas que são coletivos. “A lógica perversa das metas ampliou o adoecimento da categoria. Não há solução individual”, pontuou.
Conjuntura e defesa da classe trabalhadora
A diretora do Sindicato e secretária de meio ambiente da CUT nacional, Rosalina Amorim, destacou que o debate específico do Banco do Brasil precisa estar conectado à conjuntura nacional e às lutas mais amplas da classe trabalhadora. Ela ressaltou a importância da redução da jornada, da defesa do salário mínimo, do combate à precarização e do fortalecimento dos sindicatos.
“A luta contra a escala 6×1 é uma luta da classe trabalhadora. Nós já temos essa conquista, mas ela segue sendo ameaçada. Precisamos dar continuidade à luta pelo trabalho decente e pelo fortalecimento dos sindicatos, que são nossa ferramenta de luta”, afirmou.
Rosalina também reforçou que, em ano de Campanha Nacional, os acordos coletivos seguem sendo o principal instrumento de garantia de direitos da categoria bancária. A dirigente ainda chamou atenção para a luta contra o feminicídio, destacando que essa não é uma pauta apenas das mulheres, mas de toda a sociedade.
Valorização para quem atua no interior
A realidade dos municípios distantes e das unidades do interior foi um dos pontos de destaque do encontro. A diretora do Sindicato na subsede de Santarém, Rafaela Carletto, chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por trabalhadores e trabalhadoras em locais de difícil acesso, onde muitas vezes o deslocamento exige longas viagens, inclusive de barco, sem incentivo financeiro suficiente.
Entre as propostas apresentadas estão a criação de uma verba permanente de incentivo para locais de difícil acesso e a valorização do tempo de permanência nesses municípios. Gustavo Tabatinga reforçou que as dimensões territoriais do Pará precisam ser consideradas na negociação nacional.
Sobrecarga, funções acumuladas e saúde mental
A sobrecarga de trabalho e o acúmulo de funções foram temas recorrentes durante o encontro. Bancários e bancárias relataram a realidade de trabalhadores que acumulam atividades de setores diferentes, muitas vezes sem treinamento adequado e sem remuneração compatível com as responsabilidades exercidas.
O diretor do Sindicato na subsede de Marabá, Wellington Araújo, destacou o adoecimento da categoria e a necessidade de o Banco do Brasil assumir sua responsabilidade sobre as condições de trabalho que impactam diretamente a saúde dos funcionários e também a Cassi. Como proposta, defendeu a criação de um programa de prevenção em saúde mental em parceria com a Cassi, sindicatos e Contraf-CUT, para mapear a real situação da categoria.
“Precisamos saber o quanto a categoria está adoecida. Hoje temos apenas 18 delegados sindicais no estado do Pará, uma representatividade pequena diante da dimensão do nosso estado”, afirmou.
Outras reivindicações do funcionalismo do Banco do Brasil no Pará também foram apresentadas durante o encontro, entre elas:
. aumento de 40% do auxílio creche/babá;
. melhorias no BB Dental, considerado insuficiente para atender às demandas dos trabalhadores e trabalhadoras;
. criação de incentivo permanente para funcionários lotados em locais de difícil acesso;
. separação de funções e remuneração compatível nos casos de acúmulo de tarefas;
. criação de cargo de analista específico para as PSO`s que estão realizando tarefas repassadas do CENOP, como DJO, cadastro agro e PJ;
. garantia de liberação dos funcionários representantes sindicais de base (delegados sindicais) para participação em atividades sindicais sem precisar da anuência do gestor;
. eleição de, no mínimo, 01 (um/a) delegado(a) sindical de base por unidade, independente do número de funcionários na base do sindicato;
. o fluxo de reembolso de despesas realizadas com deslocamento, hospedagem e alimentação para consultas, exames e tratamentos feitos fora do município de residência;
. auxílio para pais, mães e responsáveis por pessoa com deficiência no valor de R$ 2.600,00, não cumulativo com o auxílio creche/babá;
. criar um programa de prevenção de doenças, relativas ao trabalho ou não, em parceria com a equipe técnica da CASSI;
. reclassificar as faltas apontadas para os funcionários que aderiram às paralisações dos dias 29/01/2021 e 10/02/2021;
. do direito dos funcionários admitidos a partir de 2018 terem o patrocínio do Banco do Brasil ao plano de saúde na aposentadoria;
. melhorar a rede credenciada da CASSI no interior do Pará;
. criação e concessão do abono academia no valor de R$ 270,00;
. retorno do direito aos funcionários admitidos a partir de janeiro de 1998 acumularem ou converter em espécie os abonos não utilizados em descanso;
. revogação do Performa que rebaixou os VR`s das funções gratificadas/comissionadas.
O encontro reafirmou a importância da organização coletiva dos bancários e bancárias do Banco do Brasil no Pará para enfrentar os desafios da Campanha Nacional 2026, fortalecer a defesa da Cassi, combater o adoecimento, enfrentar a sobrecarga de trabalho e construir uma minuta que expresse a realidade da categoria em todas as regiões do estado.
Consulta Nacional segue até 31 de maio
Durante o encontro, dirigentes sindicais reforçaram a necessidade de quem ainda não respondeu à Consulta Nacional responder e divulgar a pesquisa para os colegas da unidade de trabalho.
“Quanto maior a participação da categoria, mais força temos para levar às mesas de negociação a realidade dos bancários e bancárias de cada região do nosso estado. Por isso, reforçamos a importância de todos e todas responderem à Consulta Nacional. Também convidamos a categoria para a nossa 21ª Conferência Bancária. As inscrições estão abertas no site do Sindicato”, convida Gilmar Santos.
Delegação rumo ao CNFBB
Ao final do 18º Encontro Estadual do Banco do Brasil, foi realizada a eleição da delegação que irá representar o Pará no debate nacional dos funcionários e funcionárias do BB no 36º CNFBB. Foram eleitos e eleitas:
Titulares:
. Gilmar José dos Santos
. Rafaela Carletto Geronimo
. Amanda Waleria de Lima Freitas
. Kairison Whesslen Barbosa
. Miracildo Alves Lopes
Suplentes:
. Simone Cristina Neves Alves
. Sandra Maria Barbosa Assis
Fonte: Bancários PA