Ano sim e outro também, bancários e bancárias da Caixa no Pará reúnem-se nos Encontros Estaduais em busca de ampliar conquistas e organizar as lutas, em ano de Campanha Nacional, as reivindicações regionalizadas transformam-se em minuta; e foi exatamente isso que trabalhadores e trabalhadoras construíram em cerca de três horas durante o 18º Encontro Estadual da Caixa no Pará em formato virtual.
“Não podemos deixar a falta de esperança prevalecer, é esse sentimento que nos move a lutar mesmo diante de um cenário de dificuldades e que tudo parece ficar ainda mais complicado. A nossa Campanha Nacional deste ano não será fácil. O cenário político prova isso, mas com organização, mobilização e resistência podemos sim fazer história, mas ela deve ser contada e construída coletivamente, por todo o funcionalismo da Caixa no Pará, por toda a categoria bancária”, destaca a presidenta da Caixa, Tatiana Oliveira, que também é bancária da Caixa e membra do Comando Nacional.
O mesmo sentimento é compartilhado pelo coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco, que resgatou a última mesa de negociação com o banco, no mês passado, quando a representação dos trabalhadores e trabalhadoras denunciou a desvalorização crescente do funcionalismo e cobrou respostas para problemas que vêm se acumulando nas unidades. “São sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, mudanças estruturais implementadas sem negociação prévia, adoecimento mental e um modelo de remuneração variável com regras sem transparência. Saímos da mesa com muitas respostas pendentes e outras sequer serão discutidas como o fechamento de agências que a Caixa deu por encerrado esse debate; ou seja, tudo isso já demonstra o que vem pela frente nas mesas de negociação”, avalia o dirigente sindical.
O regimento do Encontro foi lido pelo dirigente sindical e bancário da Caixa, Everton Cunha que destacou das novidades para este ano. “Como tivemos um pequeno aumento no número de agências da Caixa aqui no Pará, conseguimos ampliar em mais uma pessoa na nossa delegação, no caso uma mulher; e nossas temáticas também mudaram conforme as modificações que vem ocorrendo na estrutura organizacional do banco”, explica.
18º Encontro Estadual inclusivo
O Encontro Estadual 2026 foi marcado pela inclusão, mas não somente pela presença de dois bancários autistas, mas porque serão eles também que farão parte da delegação paraense no 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), nos dias 17 a 19 de junho, em São Paulo.
“Somente nós, autistas, sabemos de fato as dificuldades que enfrentamos, então temos que ser nós a falarmos e representarmos os trabalhadores e trabalhadores da Caixa com TEA. A Caixa está falhando com a gente, um banco que se diz inclusivo, mas só no papel; começando pela falta de reconhecimento formal do autista como PcD no Acordo Coletivo e no normativo interno. Queremos acessibilidade plena em reuniões e eventos (incluindo palmas em Libras); protocolo de acolhimento para autistas diagnosticados tardiamente; entre outras demandas; é o mínimo que a Caixa pode fazer por nós”, destaca o coordenador nacional do Coletivo Caixa Autista, Charles Lima.
Lançado há pouco mais de um ano, o Coletivo reúne autistas empregados e empregados da Caixa de todo país, com o objetivo de fortalecer a inclusão, promover a conscientização sobre o autismo no ambiente corporativo e garantir que todose todas tenham voz, apoio e oportunidades para crescer profissionalmente em um espaço que valorize suas singularidades.
Na minuta de reivindicações do funcionalismo da Caixa no Pará ainda tem:
. fim do atendimento presencial e digital simultâneos, que gera adoecimento e concorrência entre unidades e empregados e empregadas;
. ampliação do período do auxílio-creche;
. dobrar o número de dias de ausência para acompanhar filhos (as) e dependentes em consultas ou internações
. maior representatividade dos usuários no Conselho do Saúde Caixa.
“Nosso país é diverso e apenas 6 titulares e 6 suplentes no Conselho é um número insuficiente para representar nossa diversidade ainda mais em uma das categorias que mais adoecem, sendo que a Caixa apresenta o maior nível de adoecimento na comparado aos outros bancos, comprovadamente”, ressaltou a diretora do Sindicato e bancária da Caixa, Cristiane Aleixo.
Uma pesquisa da Fenae revelou um cenário alarmante: 32% dos empregados e empregadas afirmam viver sob ameaça permanente de descomissionamento, percentual que sobe para 45% entre trabalhadores e trabalhadoras de 40 a 49 anos. O levantamento mostrou ainda que 37% já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, enquanto 61% dizem não perceber apoio adequado da empresa à saúde mental.
Consulta Nacional segue até 31 de maio
Durante o Encontro, dirigentes sindicais reforçaram a necessidade de quem ainda não respondeu à Consulta que o faça, e divulgue a pesquisa para os colegas da unidade de trabalho.
“Quanto maior a participação, melhor conseguimos levar para as mesas de negociação a realidade da categoria por região. Aproveitamos também para convidá-los para a nossa 21ª Conferência Bancária quando iremos reunir toda a categoria para também construirmos nossa minuta que será defendida nacionalmente pela delegação que será eleita no sábado. As inscrições estão abertas no nosso site”, convida Tatiana Oliveira.
Delegação paraense rumo ao Conecef
Titulares:
. Adriana Feitosa (Santarém)
. Alan Moreira (Belém)
. Charles Lima (Belém)
. Everton Cunha (Belém)
. Julyane Lima (Bragança)
. Tatiana Oliveira (Belém – delegada nata)
Suplentes
. Cristiane Aleixo (Belém)
. Danielle Santos (Xinguara)
. Jessyka Monteiro (Santaré)
. Joacy Belém (Santarém)
. Karlos Svendsen (Belém)
Fonte: Bancários PA com informações da Fenae e Contraf-CUT