O Sindicato dos Bancários do Pará realizou, na manhã desta quarta-feira (15), um ato de mobilização, no Dia de Luta por Igualdade de Oportunidades, em frente à agência do banco Itaú, em Belém. A atividade reforçou as pautas prioritárias da Campanha Nacional 2026 e exigiu o cumprimento de compromissos efetivos por igualdade de oportunidades para a categoria.
Antes do início da mobilização, diretores da entidade reuniram-se com os funcionários da agência para detalhar o andamento das negociações e reafirmar o compromisso do Sindicato na defesa de melhores condições de trabalho e garantia de direitos.
Durante o ato, a diretora de mulheres do Sindicato, Salete Gomes, destacou a contradição de um setor que lucra bilhões, mas ainda mantém desigualdades profundas em sua estrutura.
“Entre as nossas pautas sociais, nós temos uma luta já bem antiga por igualdade de oportunidades. Entendemos que a luta sindical é importante na questão remuneratória, mas não somente. Dentro da categoria temos desigualdades, e essas desigualdades foram identificadas há bastante tempo e são objeto das nossas lutas”, afirmou Salete.
As mulheres bancárias são as principais afetadas por esse cenário. Segundo levantamentos do DIEESE, elas recebem, em média, entre 18% e 24% a menos que os homens no setor e concentram cerca de 80% das vagas eliminadas desde 2020. No recorte racial, a injustiça é ainda maior: mulheres bancárias negras (pretas e pardas) têm remuneração média 34,5% inferior à dos homens brancos. “A maioria das demissões nesta categoria atinge as mulheres, o que revela um ataque direcionado aos nossos postos de trabalho”, destacou a diretora.
O papel social e a precarização do atendimento
A Campanha Nacional 2026 transcende a pauta econômica. Sandro Mattos, diretor financeiro do Sindicato e representante dos funcionários do Itaú, ressaltou que o fechamento de agências e os cortes de pessoal prejudicam diretamente a população.
“Estamos unidos em todo o país nesta fase de negociação. É fundamental que a sociedade compreenda que nossa luta não se limita à questão salarial; existem pautas de interesse coletivo. Exigimos o fim das demissões e o compromisso de não fechamento de agências, pois essa política precariza o atendimento e sobrecarrega os funcionários”, afirmou Sandro.
Segundo o diretor, a estratégia de digitalização forçada tem transferido ao cliente a responsabilidade que deveria ser da instituição.
“Os bancos lucram valores exorbitantes, mas não devolvem à sociedade um atendimento digno. O que vemos hoje são filas intermináveis e o empurrão constante para o autoatendimento, que é mais inseguro. O banco é uma concessão de serviço público e deve respeitar quem o utiliza. Por isso, estamos percorrendo diversas agências para denunciar que, apesar da tecnologia, a função social do banco não pode ser esquecida”, complementou o dirigente.
Números do desmonte
Desde 2015, o setor bancário fechou cerca de 93,3 mil postos de trabalho. Apenas nos cinco maiores bancos, foram 48.966 empregos suprimidos entre 2015 e 2025. O cenário agravou-se recentemente: de janeiro de 2025 a maio de 2026, mais 15,3 mil postos foram extintos.
Esse modelo gera sobrecarga, adoecimento e afastamentos. Além disso, a estratégia ignora a Lei 4.595/1964, que prevê a contribuição do sistema financeiro para o progresso econômico e social do país.
O resultado é um desmonte da rede física: em 2015, havia 22.786 agências no país; hoje, restam 13.291 (uma redução de 42%). Nos bancos privados, a queda chega a 60%. Somente nos cinco primeiros meses de 2026, 941 unidades foram encerradas, mesmo com lucros recordes.
Pauta da Diversidade na Mesa de Negociações
Nesta quinta-feira (16), ocorre a terceira rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A pauta da categoria está estruturada em três eixos prioritários:
Promoção da Igualdade e Ações Afirmativas: A pauta defende metas concretas, como a reserva de 30% das novas contratações para pessoas negras e a implementação de cotas para pessoas trans (iniciando em 1%). Também reivindica programas de trainee para o público negro e bolsas de qualificação para bancárias em TI.
Segurança e Combate às Discriminações: A categoria cobra a criação de um Protocolo Nacional contra o Racismo, com denúncias sigilosas e apuração obrigatória. Inclui ainda o direito de interrupção de atendimento diante de insultos, proteção a bancárias vítimas de violência doméstica e isonomia de direitos para famílias plurais e uniões homoafetivas.
Justiça Financeira: O Comando Nacional exige a isenção de tarifas bancárias para os trabalhadores do setor e a limitação dos juros em operações de crédito (como cheque especial e empréstimos) em 0,5% ao mês.
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, ressalta que as reivindicações apresentadas este ano são um reflexo do compromisso da categoria com um futuro mais justo no sistema financeiro. “Nossa pauta é um projeto de valorização do trabalho e de defesa da sociedade. Não estamos pedindo apenas avanços econômicos, mas exigindo que os bancos assumam sua responsabilidade com a igualdade de oportunidades, com o combate ao racismo e com a manutenção de um atendimento humano e eficiente. A digitalização não pode ser usada como pretexto para o desemprego ou para o abandono da função social dos bancos; por isso, seguiremos firmes na mesa de negociação até que essas demandas sejam atendidas”, reforça a presidenta.