CN2026: Entidades pressionam Banco da Amazônia por avanços em saúde e combate ao assédio

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Na segunda rodada de negociação, o banco manteve resistência às reivindicações das trabalhadoras e trabalhadores, mas assumiu o compromisso de apresentar proposta para aperfeiçoar o canal de denúncias e acolhimento. Os debates continuam em 27 de julho.

As entidades representativas das empregadas e empregados do Banco da Amazônia voltaram a cobrar mudanças concretas nas políticas de saúde, condições de trabalho e enfrentamento ao assédio durante a segunda rodada de negociação da Campanha Nacional 2026, realizada virtualmente nesta quarta-feira, 22 de julho.

Ao longo da reunião, os representantes sindicais defenderam que o banco avance para além da simples manutenção das cláusulas atuais do Acordo Coletivo de Trabalho. As entidades destacaram que problemas como adoecimento mental, pressão no ambiente laboral, falhas nos mecanismos de denúncia e situações de violência organizacional exigem respostas mais efetivas da instituição.

Embora o Banco da Amazônia tenha mantido posição contrária a praticamente todas as propostas apresentadas, a pressão das entidades resultou no compromisso de elaboração de uma proposta para aperfeiçoar o atual canal de denúncias.

A reivindicação é que seja estabelecido um fluxo específico para os empregados e empregadas, separado do atendimento destinado aos clientes, garantindo maior agilidade, acolhimento adequado e tratamento especializado para denúncias de assédio moral, assédio sexual e outras formas de violência no trabalho.

O banco reconheceu a necessidade de reorganizar o modelo atualmente utilizado e informou que apresentará uma proposta de redação sobre o tema, incluindo um prazo considerado viável para sua implementação. As entidades também cobraram acesso a informações gerais sobre o funcionamento do canal e sobre a quantidade de atendimentos realizados, preservando o sigilo e a identidade das pessoas envolvidas.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, a rodada foi importante para aprofundar o debate, mas o banco precisa transformar o diálogo em medidas concretas.

“Foi uma mesa com discussões importantes sobre saúde, condições de trabalho e combate ao assédio.Precisamos que o banco apresente respostas mais efetivas para o conjunto das reivindicações. A expectativa é que, nas próximas reuniões, o diálogo resulte em melhorias concretas diante da nossa pauta”, avaliou Tatiana.

Entidades cobram mudança de postura

Além do canal de denúncias, foram discutidos temas como acompanhamento das denúncias apresentadas pelas entidades sindicais, reembolso de despesas médicas decorrentes de casos comprovados de assédio, correção de registros no ponto eletrônico, teletrabalho, funcionamento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipas) e prevenção de doenças e acidentes relacionados ao trabalho.

Em diversos pontos, o banco defendeu a manutenção das regras atualmente vigentes. Diante das sucessivas negativas, as entidades registraram que participar de uma negociação apenas para ouvir a repetição das cláusulas atuais não atende às expectativas da categoria.

O coordenador da Comissão de Organização dos Empregados do Banco da Amazônia (COE/BASA) e diretor jurídico do Sindicato dos Bancários do Pará, Cristiano Moreno, cobrou uma mudança de postura da instituição nas próximas rodadas.

“O Banco da Amazônia precisa compreender que negociação não pode ser apenas a leitura das reivindicações seguida de uma sequência de negativas. Cada cláusula apresentada nasceu de problemas enfrentados diariamente pelos empregados e empregadas, especialmente nas questões de saúde, adoecimento, condições de trabalho, além de problemas que sofrem ao entrar em benefício previdenciário. O banco precisa sair da posição confortável de manter tudo como está e dizer, objetivamente, em quais pontos está disposto a avançar. Vamos continuar cobrando, porque diálogo sem resultado não protege o trabalhador, a trabalhadora, não impede o assédio e não melhora o ambiente de trabalho”, afirmou Cristiano.

O dirigente também ressaltou que providências administrativas adotadas pelo banco são importantes, mas não substituem a inclusão de garantias no Acordo Coletivo.

“As soluções administrativas dependem da disposição dos gestores de cada momento. O que buscamos no acordo são compromissos permanentes, transparentes e capazes de proteger toda a categoria. Não aceitaremos que questões tão sérias sejam tratadas apenas com promessas ou medidas isoladas”, completou.

Próxima rodada

As entidades defenderam que as propostas rejeitadas nesta rodada sejam reavaliadas pela direção do banco ao longo do processo negocial. O objetivo é garantir que a Campanha Nacional 2026 produza avanços reais, especialmente nas cláusulas sociais e relacionadas à saúde e às condições de trabalho.

A negociação terá continuidade no dia 27 de julho, quando serão debatidos os itens da minuta que não puderam ser analisados nesta segunda rodada.

Participaram da reunião, representando os trabalhadores e trabalhadoras, Tatiana Oliveira, presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará; Cristiano Moreno, diretor jurídico do sindicato, coordenador da COE/BASA e empregado do banco; Rosalina Amorim, diretora da Contraf-CUT e do Sindicato dos Bancários do Pará; Ronaldo Fernandes, diretor da Fetec-CUT/CN e do sindicato e empregado do banco; Ricardo Vitor, diretor do Sindicato dos Bancários de Rondônia e empregado do BASA; e Luiz Fernando Galiza, assessor jurídico do Sindicato dos Bancários do Pará.

Pelo Banco da Amazônia, participaram Francisco Moura, assessor da Presidência; Anderson Pereira, gerente executivo da Gestão de Pessoas (Gepes); Daniela Vasconcellos, coordenadora da Gepes; e Girley Aleixo, analista da Gepes.

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Fonte: Bancários PA

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