Em reunião realizada na noite do dia 14 de julho, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) apresentou formalmente o estudo de conclusão sobre a proposta do novo Plano de Cargos e Salários (PCS) do Banco da Amazônia (BASA). O levantamento, fruto de uma solicitação conjunta do Sindicato dos Bancários do Pará, da Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEEBA) e demais entidades representativas, traz um diagnóstico rigoroso que fundamenta a forte recomendação de não adesão por parte das funcionárias e funcionários ao novo plano.
De acordo com a análise técnica, a proposta apresentada pela direção do banco exclui mais de 70% do funcionalismo da instituição dos benefícios reais de crescimento de longo prazo, concentrando vantagens apenas nas carreiras de ingresso especializado e gerando severas distorções na trajetória funcional dos trabalhadores que já contam com longa data de casa.
Principais achados da pesquisa do DIEESE
O DIEESE estruturou sua análise a partir da comparação aprofundada entre o PCS de 1994 e o novo modelo, examinando normas de promoção, tabelas salariais, regras de enquadramento e simulações projetadas para até 40 anos de carreira. Os pontos mais críticos levantados pelo estudo incluem:
1. Fragmentação e desigualdade entre carreiras
O novo plano substitui a antiga estrutura de duas grandes carreiras por seis carreiras específicas. No entanto, a valorização salarial foi extremamente desigual:
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Enquanto o salário inicial do cargo de Bancário (que representa a imensa maioria do quadro) é de R$ 4.202,17, cargos especializados como Advogado e Tecnologia da Informação (TI) registram salários iniciais de R$ 12.333,38 e R$ 11.832,44, respectivamente.
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A diferença percentual evidencia que os recursos foram focados na atração de novos especialistas de mercado, deixando a base de bancários em desvantagem comparativa expressiva.
2. O perigoso ponto de inversão: Quem perde no longo prazo?
As simulações de evolução remuneratória ao longo da carreira revelam que o novo PCS atrai inicialmente devido à elevação do salário de entrada (cerca de 38,1% superior no ingresso em relação ao plano antigo). Contudo, essa vantagem se esvai rapidamente:
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Entre o 10º e o 15º ano de carreira, ocorre o ponto de inflexão: a remuneração projetada pelo PCS de 1994 passa a superar a do novo plano.
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Aos 30 anos de carreira, a remuneração no novo PCS fica 6,3% abaixo do plano antigo. Aos 40 anos, a defasagem chega a 13% a menos.
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Isso ocorre porque o plano antigo preserva conquistas históricas, como quinquênios e a incidência contínua de gratificações e mecanismos de progressão por tempo de serviço, que foram eliminados ou severamente reduzidos no novo modelo.
Alerta crítico aos empregados antigos:
O estudo demonstra que empregados mais antigos, próximos da aposentadoria ou que planejam uma trajetória de longo prazo no Banco da Amazônia serão severamente penalizados pela nova estrutura, perdendo poder remuneratório acumulado ao atingir o teto precoce dos novos níveis da carreira.
Subjetividade, Mérito e Limite Orçamentário
Outro eixo de preocupação apontado pelo DIEESE diz respeito às regras de progressão funcional. No modelo de 1994, as promoções dividiam-se equitativamente entre mérito (50%) e antiguidade (50%). No PCS atual, o peso do mérito salta para 70%, enquanto a antiguidade despenca para 30%.
Essa alteração transfere o eixo da progressão para avaliações gerenciais altamente subjetivas, aumentando os riscos de viés e dependência política interna. O sindicato ressalta que, embora o plano amplie a carreira para 30 níveis, a ausência de garantias orçamentárias reais e de critérios estritamente objetivos torna o crescimento profissional incerto e dependente da disponibilidade financeira de cada exercício.
Diante dos dados irrefutáveis apresentados pelo DIEESE, o Sindicato dos Bancários do Pará reafirma a orientação pela não adesão ao novo PCS. A diretoria sindical destaca que o plano fragiliza a coesão da categoria, prejudica a maioria absoluta dos trabalhadores e impõe perdas irreversíveis para quem dedicou décadas de sua vida ao Banco da Amazônia.
Para o diretor jurídico do Sindicato dos Bancários do Pará, coordenador nacional da COE/Basa e funcionário da instituição, Cristiano Moreno, a proposta de PCS apresentada pela direção do banco é excludente e desrespeita a história de quem construiu o Banco da Amazônia.
“O estudo só revela aquilo que o Sindicato já havia alertado: a direção do banco mascarou perdas de longo prazo com um falso brilho inicial. A pesquisa comprova que mais de 70% do funcionalismo sai perdendo com esse plano, que troca a estabilidade da antiguidade pela subjetividade das avaliações e pune os empregados mais antigos. Por isso a nossa orientação é clara: nenhum funcionário deve aderir a essa armadilha”, afirmou Cristiano.
Com o prazo de adesão ao novo PCS marcado para encerrar no dia 31 deste mês, a presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, reforça que o plano é inaceitável e atenta contra a valorização do funcionalismo do Banco da Amazônia.
“Aceitar esse novo plano é abrir espaço para que medidas como essa se tornem regra, passando a mensagem de que todo o histórico de dedicação dos trabalhadores não tem valor. Por isso, reforçamos mais uma vez que a adesão ao novo PCS não pode acontecer. Os prejuízos não atingem apenas quem decide aderir hoje, mas comprometem toda a categoria no médio e longo prazo, enfraquecendo direitos e criando um modelo cada vez mais desigual para os bancários e bancárias,” pontuou Tatiana.
A entidade exige da direção do banco transparência absoluta, revisão imediata da proporção entre mérito e antiguidade, salvaguardas reais para os empregados antigos e a abertura de um verdadeiro canal de negociação coletiva que respeite os direitos históricos do funcionalismo.
Confira a apresentação de conclusão do DIEESE neste link.