Após um mês e meio de exaustivas negociações, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários conseguiu derrotar a tentativa dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, que resultaria em perdas reais aos bancários, nos salários e em todas as verbas. A categoria garantiu a reposição total da inflação (INPC), mais aumento real de 0,6%, para 2026 e 2027. Além disso, a Fenaban tentou dividir a categoria: seja fragmentando bancos públicos e privados, seja propondo reajustes por faixa salariais (rejeitado pela categoria em assembleia), ou ainda com propostas por VA e VR regionalizados. Em resumo, o foco era quebrar a unidade e Convenção Coletiva de Trabalho.
Como nenhuma minuta ainda foi disponibilizada, a assembleia será de avaliação e deliberação no que foi divulgado como propostas da Fenaban e dos bancos. Vale ressaltar que Banco da Amazônia terá mesa hoje (31), às 14h, e Banco do Brasil tem previsão de nova rodada também pra hoje, final da tarde. A proposta da Caixa, trouxe reajuste no Saúde Caixa e a instituição de cobrança por faixa etária, o que, na prática onera muito a renda de seus empregados (as) e inviabiliza a permanência no plano de saúde, pois não houve retirada ou elevação do teto de contribuição da empresa.
“Conseguimos sair do nada, mas acreditamos que podemos ter um ganho real maior e melhorar as propostas nas mesas específicas já finalizadas ou em andamento, e por isso a nossa orientação de rejeição, porém é a categoria quem decide de forma soberana em assembleia. Diante da recusa, o próximo passo é a deflagração da greve, e para nosso movimento ter de fato impacto nacionalmente perante aos banqueiros, bancários e bancárias precisam de fato aderir, e não somente votar contra. Nossa mobilização é o que pode forçar a reabertura de mesas”, ressalta a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira, membra do Comando Nacional.
O reajuste (reposição total da inflação (INPC), mais aumento real de 0,6%) será aplicado não só aos salários, como também nas demais verbas, incluindo vales alimentação (VA), refeição (VR), auxílio creche/babá e Participação nos Lucros e Resultados (PLR), tanto na regra básica quanto na parcela adicional.
A inflação (INPC) para a data-base dos bancários (as) (1º de setembro) será divulgada no dia 11 de setembro, quando será possível definir qual será o reajuste total (INPC + 0,6% de aumento real) para salários e demais verbas em 2026, com estimativa de que o INPC seja próximo de 4%.
Uma das batalhas desta negociação, com muita participação da categoria, foi para manter a mesa única, constantemente atacada pela Fenaban.
O ano 2004 foi o início da mesa única de negociação. Se aprovado nas assembleias, desde então até 2027, a categoria acumulará um reajuste total de 286,5% nos salários, sendo 25% de ganho real. Nos pisos o ganho real será de 47,1%.
Ao longo das 13 mesas, a categoria avançou em cláusulas relacionadas à:
– Saúde mental: Participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, da nova Norma Regulamentadora nº 1 (RN-1), com objetivo de reduzir o adoecimento mental na categoria.
– Combate ao assédio: O banco disponibilizará o canal de combate ao assédio moral e sexual (conquistado na Campanha Nacional de 2024) para receber também denúncias sobre atos praticados por clientes contra os funcionários.
– Monitoramento digital: Transparência e limites à vigilância a partir de ferramentas de monitoramento digital no trabalho, direito à feedback, com o objetivo de estabelecer gestão ética e humanizada da tecnologia, para proteção aos bancários.
– Direito à desconexão: Para que bancários e bancárias tenham seu tempo fora da jornada de trabalho respeitado, por exemplo, não sendo obrigados a atender ou responder mensagens fora da jornada de trabalho, seja para clientes, seja para gestores.
– Paralisação do dia 20 de agosto: A Fenaban garantiu abono do dia de paralisação para as bases que aprovarem as propostas nas assembleias.
Programa de indenização, qualificação e recolocação no mercado de trabalho
Foram acordadas duas medidas, em casos de bancários (as) demitidos devido ao fechamento de agências.
A primeira é a contratação da Gi Group, consultoria internacional que irá elaborar planos para cada trabalhador, com diagnósticos, entrevistas e planos de qualificação e recolocação individualizados.
Os trabalhadores (as) terão ainda acesso a uma plataforma de cursos para qualificação, sendo cadastrados em um banco de talentos, com empresas de todo o Brasil. Assim, a consultoria irá conectar trabalhadores a empresas, conforme as suas competências.
A segunda medida é o aumento da indenização adicional, além do já previsto na CCT, conforme tabela abaixo:

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam 9,5 mil agências. E, somente no primeiro semestre de 2026, foram encerradas 669 agências pelos maiores bancos do país.
Todas e todos à assembleia virtual, antes tem plenária online
EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
O SINDICATO DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO RAMO FINANCEIRO DO ESTADO DO PARÁ convoca todos os bancários e bancárias, dos bancos públicos (exceto Banpará) e privados, sócios e não sócios, da base territorial da entidade, para participarem da Assembleia Geral Extraordinária que ocorrerá no dia 31.08.2026, às 18h, através da plataforma Zoom Meeting’s, e com votação pela plataforma a ser disponibilizada no site do sindicato, na mesma data e no período compreendido entre 19h e 22h, com o objetivo de apreciarem e deliberarem sobre a seguinte pauta:
1. Avaliação da proposta da Fenaban e dos bancos, se houver;
2. Em caso de ausência ou rejeição de propostas, possibilidade deflagração de greve por tempo indeterminado, a partir de 00h do dia 04.09.2026;
Para participar da plenária pelo Zoom, o interessado deverá se inscrever clicando neste link.
Para participar da votação, o interessado deverá clicar neste link.
Belém, Pará. 29 de agosto de 2026.
TATIANA CIBELE DA SILVA OLIVEIRA
PRESIDENTA DO SINDICATO DOS BANCÁRIOS DO PARÁ
Fonte: Contraf-CUT com edição Bancários PA