Ocorreu nesta quarta-feira (12) a 5ª mesa de negociação da Campanha Salarial entre as entidades representativas dos trabalhadores e a direção do Banco da Amazônia. Realizado no formato virtual, o encontro teve como pauta central a Participação nos Lucros e Resultados, referente ao exercício de 2026. Durante a mesa, os representantes do banco apresentaram o balanço do desempenho financeiro referente ao primeiro semestre do ano.
De acordo com os dados expostos pela gestão, até a presente data, não haverá distribuição de PLR, uma vez que alguns indicadores de metas ficaram zerados no período (0,00%). No entanto, os representantes do banco declarou que tem a expectativa de que o resultado do exercício financeiro apresente melhora no segundo semestre, possibilitando a reversão do quadro até o encerramento do ano.Entre os principais fatores apontados pelo banco para o não atingimento das metas no primeiro trimestre está a elevada inadimplência na carteira agropecuária, devido impactos climáticos na região e da alta volatilidade no preço das commodities agrícolas, impulsionada pelo cenário internacional e conflitos geopolíticos.
Outro entrave decisivo para o balanço do período foi o forte provisionamento para perdas esperadas — que pode alcançar R$ 2,2 bilhões —, imposto pelo cumprimento da Resolução CMN nº 4.966/2021, norma legal que exige maior rigor na mensuração de riscos de crédito por parte das instituições financeiras.
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, o resultado zerado no primeiro trimestre não reflete a dedicação diária da categoria nas agências e unidades administrativas:
“Os empregados do Banco da Amazônia continuam trabalhando incansavelmente na ponta, garantindo o fomento econômico e a aplicação dos recursos públicos em toda a Amazônia Legal. Não podemos aceitar que sobram exigências sobre as metas e, no final, os riscos conjunturais e regulatórios recaiam unicamente sobre as costas dos trabalhadores. Queremos que o banco faça a gestão necessária para reverter desse cenário e garanta o pagamento justo e antecipado da PLR, honrando o esforço de quem constrói o resultado da instituição.”
Na mesma linha, o diretor jurídico do Sindicato, coordenador da Comissão de Empresa dos Empregados do BASA (COE/BASA) e empregado do banco, Cristiano Moreno, reforçou a necessidade de transparência e urgência na solução dos gargalos:
“A apresentação do banco acende um alerta vermelho para toda a categoria. Sabemos que fatores climáticos e novas regras de provisionamento pesam, mas o banco precisa ter sensibilidade social e planejamento estratégico para proteger a remuneração dos seus empregados. É fundamental lembrar que quem produz os resultados e o lucro do banco são os seus empregados, e essa contribuição precisa ser reconhecida e valorizada de forma concreta. Vamos acompanhar de perto a evolução desses indicadores e pressionar a diretoria para que o pagamento ocorra no calendário histórico, sem empurrar a verba para o ano seguinte. A valorização do funcionalismo precisa ser prioridade concreta, não apenas discurso.”
Pelo banco, participaram da reunião Francisco Moura (assessor da Presidência), Anderson Pereira (gerente executivo de Gestão de Pessoas), Daniela Vasconcellos (coordenadora da Gepes), Girley Aleixo (analista da Gepes) e José Aldo Júnior.