Se é semana de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), tem Dia Nacional de Luta. Na capital paraense, a mobilização foi em frente à agência Nazaré do Santander, na manhã desta terça-feira (28). Na capital paulista, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do respectivo banco realiza a terceira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
“A escolha em ser essa unidade é muito simbólica para nós e o funcionalismo do banco, pois foi uma das agências do Santander, aqui de Belém, que mais demitiu. Postos de trabalho que antes que eram ocupadas por bancários e bancárias, hoje sentam terceirizados, quarteirizados, que fazem o mesmo trabalho bancário recebendo valores diferentes, o que chamamos de fraude trabalhista”, explica a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira, que é membra do Comando Nacional.
A fraude trabalhista ocorre quando empregadores simulam contratos para burlar direitos (férias, 13º, FGTS) da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A prática mais comum é a “pejotização”, onde o funcionário é obrigado a abrir um CNPJ, mascarando uma relação com subordinação, habitualidade e dependência. No caso da categoria, chamamos de fraude trabalhista pois o objetivo é baratear a mão de obra, não pagando os direitos previstos na CCT dos bancários.
Na quinta-feira (30) com a Fenaban, a valorização da remuneração e defesa da mesa única estarão no centro das discussões. Já na mesa de hoje com o Santander, a saúde do funcionalismo será a pauta principal.
“Metas abusivas, demissões, fechamento de agências, tudo isso impacta na saúde física e mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Ao longo de 5 anos vimos, especificamente no Santander, que sou também bancário, o funcionalismo reduzir para menos da metade; e de 20 agências na Região Metropolitana de Belém caírem para 7 atualmente. Além do funcionalismo, clientes e usuários também sentem, tendo que se deslocar para unidades mais distantes em busca de atendimento”, conta o dirigente sindical, Márcio Saldanha.
Na contramão do desemprego e encerramento de agências e postos, o banco espanhol registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o banco continua extremamente rentável, mas essa rentabilidade vem acompanhada de uma profunda transformação operacional. A aposta em clientes de maior renda, na digitalização e no uso crescente da inteligência artificial.
“Essa transformação, na prática, só muda para melhor o lucro do banco, porque para o funcionalismo, clientes e usuários, não. Hoje, durante nosso ato, vimos vários idosos entrando e saindo, a digitalização não acompanha o ritmo deles, que ainda precisam de um atendimento humanizado, coisa que IA alguma é capaz de oferecer”, dispara a vice-presidenta do Sindicato, Vera Paoloni.
30 de julho, nova rodada com Fenaban
A valorização da remuneração e defesa da mesa única em pauta na quarta rodada de negociação com a Fenaban. “Desde 2003, ou seja, há mais de duas décadas que construímos as negociações em mesa única, com bancos públicos e privados, e graças a isso e à nossa Convenção Coletiva de Trabalho que vale para toda a categoria do Brasil, que tivemos nossas conquistas mantidas e garantidas nos governos Temer e Bolsonaro. Em hipótese alguma aceitaremos esse tipo de retrocesso”, destaca Tatiana Oliveira, que acompanha de perto todas as rodadas de negociação com a Fenaban e Caixa (banco que ela faz parte) em São Paulo.
Os principais eixos da pauta de reivindicações da categoria são:
– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
– Fim das metas abusivas;
– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
– Manutenção dos direitos conquistados;
– Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;
– Defesa do emprego bancário;
– Defesa dos bancos públicos;
– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
Fonte: Bancários PA com Contraf-CUT