CN2026: No 11º dia de greve, empregados e empregadas da Caixa no Pará ampliam adesão e cobram avanços

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Vestidos de preto, empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal chegaram, nesta segunda-feira (14), ao 11º dia de greve no Pará. A paralisação começou no estado à 0h de 4 de setembro, antes mesmo do início do movimento nacional da Caixa, deflagrado no dia 10. Desde então, trabalhadores e trabalhadoras das agências e setores administrativos vêm ampliando a participação nas atividades e cobrando da direção do banco avanços concretos nas negociações.

O preto que marcou a mobilização de hoje deu ainda mais visibilidade a um movimento que cresce dentro da Caixa, trazendo a temática do luto pela postura da empresa em ameaçar com a retirada de direitos. Embora, já tenha voltado atrás no uso do fim da ultratividade e sinalizado com a retomada das negociações.

Para a empregada da agência Ver-o-Peso, Arlanza Lopes, a participação das trabalhadoras e trabalhadores paraenses ajudou a transformar o Pará em referência para outras bases do país. “O Pará se engajou, mobilizou e está sendo exemplo para o restante do Brasil. Isso é mérito de cada um e cada uma de nós.”

A greve ocorre diante da avaliação de que a proposta da Caixa ainda não é aceitável. Um dos principais pontos da pauta é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados e empregadas. Nacionalmente, a proposta apresentada pela direção do banco foi rejeitada pelos trabalhadores e trabalhadoras e a paralisação segue por tempo indeterminado.

O impacto das mudanças no orçamento e na vida das famílias é destacado pela secretária-geral do Sindicato e empregada da Caixa, Cristiane Aleixo, destaca. “Falar do Saúde Caixa é falar diretamente da vida de quem trabalha no banco e precisa ter segurança para buscar atendimento quando necessário. É o nosso ganha-pão que está em jogo, é o nosso plano de saúde, é o nosso salário. Nós queremos uma proposta decente. Na greve, um colega protege o outro, e juntos seguimos em frente”.

A dirigente sindical também chama a atenção para a importância de ampliar a participação dos empregados e empregadas e fazer a informação chegar a quem ainda permanece nos locais de trabalho. Nas redes sociais e nos grupos de mensagens, o chamado é para fortalecer o movimento, esclarecer dúvidas e combater informações equivocadas sobre a greve.

Nos últimos dias, a preocupação da categoria aumentou após comunicados enviados pela Caixa sobre direitos previstos no Acordo Coletivo. O Sindicato denunciou as mensagens como uma tentativa de pressionar os trabalhadores e trabalhadoras em plena greve e cobrou da direção do banco respeito ao direito de organização da categoria e continuidade das negociações.

O diretor administrativo do Sindicato e empregado da Caixa, Everton Cunha, afirma que as medidas adotadas pelo banco reforçaram a disposição dos trabalhadores e trabalhadoras de permanecer mobilizados e mobilizadas. “Estamos dispostos a lutar, inclusive na esfera jurídica. Não vamos aceitar a retirada de direitos”.

Para o Sindicato, os problemas colocados na Campanha devem ser enfrentados por meio da negociação, sem ameaças à categoria. A entidade afirma que seguirá utilizando os instrumentos sindicais e jurídicos necessários para defender os empregados e empregadas da Caixa.

Uma greve que chegou a quem não costumava parar

Uma das marcas desses 11 dias é a entrada no movimento de empregados e empregadas que, em campanhas anteriores, participavam pouco das mobilizações.

O gerente da Agência Barco, Paulo Klein, relaciona sua participação à rotina de quem está diariamente na ponta do atendimento. Na unidade fluvial, o trabalho significa percorrer comunidades e prestar serviços à população ribeirinha, muitas vezes enfrentando longas distâncias e condições adversas. “A gente vê muitas pessoas que normalmente não estão envolvidas no movimento. Esse momento é diferenciado e todos nós estamos aqui por todos nós”.

A participação de gestores também ganhou força durante a paralisação. O representante dos usuários do Saúde Caixa, Rafael Mesquita, destaca tal presença e reforça o plano de saúde como um dos principais motivos para o crescimento da adesão. “Hoje os gerentes estão em massa na luta pelos nossos direitos. O nosso grande nó nessa negociação é o Saúde Caixa”.

Rafael chama atenção para o aumento da participação dos empregados e empregadas no custeio do plano ao longo dos últimos anos. Para ele, defender o Saúde Caixa significa impedir que despesas cada vez maiores sejam transferidas aos trabalhadores e trabalhadoras e garantir condições para que empregados, aposentados e seus dependentes continuem tendo acesso à assistência.

Saúde também é direito de quem trabalha

A importância da Caixa para além da atividade bancária aparece ainda na fala da empregada da instituição, Virgínia Lavareda. Ao participar da mobilização, ela destacou o papel exercido pelo banco na execução de políticas públicas e na vida cotidiana da população brasileira. “Não estamos aqui apenas como uma classe trabalhadora querendo aumento ou privilégio. A Caixa, além de um banco, ajuda a construir o Brasil”.

Para muitos dos empregados e empregadas que aderiram à greve, defender seus direitos também significa defender a instituição onde trabalham. São pessoas que atendem diariamente nas agências, percorrem rios para chegar às comunidades, assumem responsabilidades de gestão e, em muitos casos, decidiram participar de uma paralisação depois de anos sem fazer greve.

Greve segue enquanto não houver avanços

À frente do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira acompanha as negociações nacionais e a organização da greve no estado. Na última sexta-feira (11), após uma semana de paralisação no Pará, ela afirmou que pontos centrais da pauta permaneciam sem uma resposta que atendesse às reivindicações dos trabalhadores, especialmente em relação ao Saúde Caixa e aos dias de greve. “Ainda não temos a valorização e avanços que tanto desejamos e que por isso paramos”.

 

Fonte: Bancários PA

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