“É com muita honra e prazer que nos reunimos, de novo, remotamente, e dessa vez com as mulheres da região sudeste do Pará para mais uma Conferência Livre de Mulheres Bancárias. Esse debate é direito de todas nós e não só daquele Congresso que pouco nos representa de maioria homens, brancos. Não podemos deixar que nossos espaços sejam ocupados por quem não nos representa”, saudou a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira, na abertura do evento.
A Etapa Marabá da Conferência Livre de Mulheres Bancárias ocorreu na última sexta-feira (4) e representa mais um passo da categoria rumo à V Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres que será realizada de 29 de setembro a 1º de outubro.
“Esse tipo de Conferência não ocorria há cerca de 9 anos e ter a retomada desses espaços é ter mais ainda a certeza de que nossa luta nunca foi em vão e que precisamos seguir contra o retrocesso e por novas conquistas. Nós bancárias, somos uma das primeiras categorias a negociar uma mesa de igualdade de oportunidades, conquistamos; e hoje seguimos a luta para que tanto a igualdade, e principalmente a equidade sejam realidades na nossa sociedade”, destaca a diretora de Mulheres do Sindicato, Salete Gomes.
A igualdade é baseada no princípio da universalidade, ou seja, que todos devem ser regidos pelas mesmas regras e devem ter os mesmos direitos e deveres. A equidade, por outro lado, reconhece que não somos todos iguais e que é preciso ajustar esse “desequilíbrio”.
Políticas Públicas na prática
A diretora do Sindicato na região, Heidiany Moreno, lembrou da importância das políticas públicas efetivas para a sociedade e citou como exemplo a vacina contra a meningite. “Antes dela estar no calendário do Programa Nacional de Imunizações, eu tive que pagar para vacinar minha filha. Ou seja, discutir, construir e defender que nossas pautas virem políticas públicas apresentando sugestões de como torná-las reais é o que estamos fazendo hoje aqui para continuar lá em Brasília junto com todo o Brasil”, explica.
Outro exemplo citado foi pela diretora de Segurança de Trabalho e Renda do Ministério das Mulheres, Liliani Nascimento, sobre o lançamento da primeira lavanderia Coletiva em Caruaru (PE), no mês passado. “Lembro de quando comecei na militância feminista e discutíamos o surgimento de espaços públicos coletivos como esse que representam respeito, organização e promoção da autonomia econômica das mulheres, além de tirar parte da sobrecarga de trabalho. Pesquisas revelam que trabalhamos em casa mais do que o dobro que os homens, mesmo a gente também trabalhando fora. Dados desumanos e que adoecem, mas que nossa Secretaria está comprometida em mudar essa realidade ouvindo vocês em ambientes como esse, a partir da aplicação da Política Nacional de Cuidados que visa garantir o direito ao cuidado e promover a corresponsabilidade social na oferta de cuidados no Brasil”, comenta.
Dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2024 mostram que mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais às tarefas domésticas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. A PNAD Contínua revela que essa diferença na carga de trabalho doméstico, entre homens e mulheres, tem um impacto significativo na participação feminina no mercado de trabalho.
Mais representantes do Pará em Brasília
Todas as Conferências Livres precisam eleger representantes ao final da programação, e a Etapa Marabá escolheu as bancárias Danielle Santos e Sanah Sá.
“Grata demais pela oportunidade de aprender e reenergizar o punho para a luta contínua em prol da nossa vida! Da vida feminina! Parabéns pra nós!”, agradece a professora Katy Oliveira.
Propostas do sudeste do Pará
Proposta 1 – Combate às violências
Combate às violências – Interiorizar as políticas de combate às violências contra as mulheres, sejam elas de cunho doméstico e familiar, bem como a violência política de gênero e a violência obstétrica, que tem vitimado milhões de mulheres anualmente. Ao sermos violentadas em diferentes esferas de nossa vida, temos a negação da nossa autonomia e do direito aos espaços públicos, situação inaceitável do ponto de vista dos direitos humanos, da nossa constituição federal e dos compromissos do estado brasileiro perante organismos internacionais.
Proposta 2 – Grandes Projetos e os Impactos na Vida das Mulheres: Não em Nosso Nome!
Garantir a participação das mulheres na avaliação, monitoramento e decisão sobre a instalação de grandes projetos de infraestrutura e mineração na Amazônia, como ferrovias, hidrelétricas, siderúrgicas e portos. Exigir estudos de impacto de gênero como requisito obrigatório nos licenciamentos ambientais. Implementar políticas de reparação para comunidades atingidas por grandes empreendimentos, com atenção especial à violência de gênero, ao aumento do custo de vida e ao desmonte dos modos de vida das mulheres e suas famílias.
Proposta 3 – Bem Viver como Projeto Político das Mulheres Amazônidas
Reconhecer o Bem Viver como um princípio orientador das políticas públicas voltadas para as mulheres, especialmente nas regiões periféricas e amazônicas. Incentivar a criação de espaços comunitários de cuidado coletivo, produção de alimentos saudáveis e saberes tradicionais liderados por mulheres. Defender o fortalecimento da economia solidária e das redes de apoio às mulheres como estratégia de resistência ao modelo capitalista predatório. O Bem Viver deve significar tempo para o cuidado de si, da coletividade e da natureza, com justiça ambiental, igualdade e dignidade.
Fonte: Bancários PA e gov.br