Com regimento aprovado por unanimidade e após falas de abertura, bancários e bancárias eleitos ao 18º Congresso Nacional do Banco da Amazônia (Basa) deliberaram sobre as pautas da minuta de reivindicações que será entregue à direção do banco com data a ser definida.
“Como já prevíamos diante do cenário atual, o PCS foi o tema que predominou. É inegável a preocupação e aflição dos colegas da qual compartilhamos e estamos em busca de respostas às várias lacunas pendentes num Plano que sequer tivemos acesso ao documento oficial mesmo depois de reiterados pedidos via ofício”, destaca a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira.
A preocupação com os impactos do novo Plano de Cargos e Salários também foi reforçada durante o Congresso a partir de avaliação da Mary Cohen Advocacia, escritório que assessora o Sindicato dos Bancários do Pará, sobre os critérios de enquadramento apresentados até o momento.
“O Novo PCS comete um equívoco jurídico ao desconsiderar o tempo de serviço e utilizar a remuneração global como critério exclusivo de enquadramento, gerando um visível achatamento na carreira. Essa neutralização da dedicação histórica do trabalhador fere o princípio da vedação à alteração contratual lesiva e a justa expectativa de evolução funcional, resultando em insegurança jurídica e em disparidades que comprometem os direitos adquiridos.” afirma Luciano Danin, integrante da Mary Cohen Advocacia.
Um calendário de luta e mobilizações também está em construção e já começou com visitas às agências para conversar com o público-alvo do PCS em forma de escutatória.
“Esse diálogo é para ouvirmos os colegas para definirmos nossas próximas estratégias de luta por um PCS digno, justo e transparente. Na próxima segunda-feira, dia 15, concentração a partir de 8h, estaremos em frente à matriz do Basa panfletando, conversando e ampliando nossa mobilização. Fica o convite desde já para todos os bancários e bancárias somarem com a gente, a Aeba, CUT, Contraf-CUT”, convoca o coordenador da COE Basa, Cristiano Moreno, que no dia do Congresso completava 23 anos de banco.
Outras reivindicações que constarão na Minuta 2026
. PLR: prazo máximo para o pagamento da PLR e não condicioná-lo a um ato que fica a critério do banco. Aumento no limite de 4 para 5 remunerações do empregado e empregada, dividido nos módulos básico e social.
. Progressão: ninguém passará mais de 5 anos em cada nível da função de analista tendo direito a progressão após esse período.
. Assunção de função: o banco não pode usar como critério de não assunção, fatores relacionados à inscrição em cadastros restritivos de crédito.
. Medicina do trabalho: necessidade de contratação de médicos do trabalho.
. Registro de jornada: cobrar do banco um sistema de registro de jornada que funcione corretamente.
Cenário favorável
“Em termos de eficiência, o Banco da Amazônia está perto do BB, operacionalmente tem bom crescimento de todas as receitas, principalmente com as das tarifas e serviços que são relacionadas ao trabalho direto dos bancários e bancárias, ou seja, na minha avaliação, dados que dão condições de terem uma boa negociação”, afirma a consultora técnica no Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Vivian Machado, que apresentou os resultados do banco e análise técnica do Dieese.
O índice de eficiência (muitas vezes chamado de cost-to-income) mede a saúde operacional de um banco. Ele indica quanto a instituição gasta para gerar cada unidade de receita. Nessa métrica, quanto menor o índice, melhor, pois significa que o banco consegue lucrar gastando menos.
A fórmula básica divide os custos operacionais (despesas com pessoal, agências, tecnologia, etc.) pelas receitas operacionais (juros cobrados, tarifas, prestação de serviços, entre outros).
O índice de eficiência operacional do Banco da Amazônia encerrou o último exercício em 35,6%. Esse indicador demonstra uma melhora contínua, mantendo-se abaixo e superando a média do sistema financeiro nacional.
O banco registrou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão em 2025, impulsionado pela forte expansão da carteira de crédito e intermediação financeira, queda de 2,4% em relação ao ano anterior. Segundo a administração do Basa, o resultado ocorreu em meio a condições financeiras mais restritivas e maior pressão sobre a inadimplência. Apesar disso, a instituição financeira manteve expansão relevante da carteira de crédito.
Unidade marcou as falas do Congresso
O presidente da Aeba, Gilson Lima destacou que apesar das diferenças e algumas divergências, tem buscado construir unidade com o Sindicato. “É importante que estejamos juntos na luta em torno de decisões importantes para o funcionalismo do Basa, inclusive para construirmos uma agenda unificada”, disse.
A diretora da Contraf-CUT, Rosalina Amorim destacou a importância desses substantivos de força para a luta contra o fim da escala 6×1. “Conseguimos a aprovação na Câmara dos Deputados e agora o texto encontra-se no Senado Federal, onde os líderes debatem o rito e os próximos passos de tramitação, e para que a proposta passe, precisamos intensificar nossa mobilização nas ruas e nas redes. O fim da escala 6×1 representa qualidade de vida no trabalho e na sociedade”, ressalta. “E para que a pauta da classe trabalhadora tenha êxito precisamos escolher e eleger melhor nossos representantes nesse ano que é ano de eleição”, lembra a dirigente sindical.
Estiveram presentes na mesa de abertura Vera Paoloni, representando a Central Única dos Trabalhadores do Pará (CUT/PA); Rosalina Amorim, representando a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT); Ronaldo Fernandes, representando a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN); Cristiano Moreno, representando a Comissão de Organização dos Empregados do Banco da Amazônia (COE Basa); e Tatiana Oliveira, representando o Sindicato dos Bancários do Pará (SEEB/PA).
Fonte: Bancários PA com agências de notícias