CN 2026: Em Belém, bancários e bancárias do Pará integram Dia Nacional de Mobilização por Emprego, denunciam desmonte e cobram segurança e atendimento digno

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No Dia Nacional de Mobilização por Emprego e contra o Fechamento de Agências, o Sindicato mostrou que a política dos bancos tem deixado trabalhadoras e trabalhadores sobrecarregados e a população enfrentando filas, insegurança e atendimento cada vez mais difícil.

As filas na agência Marajó, do Bradesco, na rua Santo Antônio, no Comércio de Belém, falaram por si. Enquanto clientes esperavam por atendimento, muitos deles idosos, aposentados e pessoas com dificuldade de locomoção, bancários e bancárias realizaram um ato em frente à unidade para denunciar o que vem acontecendo em todo o país: bancos lucrando bilhões, fechando agências, demitindo trabalhadores e trabalhadoras e piorando o atendimento à população.

A mobilização fez parte do Dia Nacional de Mobilização por Emprego e contra o Fechamento de Agências Bancárias, dentro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O ato também antecede a mesa de negociação com a Fenaban, que terá como tema central o emprego.

Em Belém, o Sindicato dos Bancários do Pará, junto com a Fetec-CUT/CN e a Contraf-CUT, escolheu a agência Marajó justamente por ela representar, na prática, o desmonte que a categoria vem denunciando: menos funcionários e funcionárias, menos segurança, retirada de portas giratórias e vigilantes, além da tentativa de empurrar clientes para o autoatendimento e os canais digitais, mesmo quando grande parte da população ainda precisa do atendimento presencial.

Durante o ato, a situação ficou ainda mais grave. Houve relato de falta de dinheiro nos caixas eletrônicos, depois de clientes já terem passado muito tempo na fila. A orientação dada foi que as pessoas procurassem outra agência. Para o Sindicato, isso mostra a falta de respeito com quem depende do serviço bancário, especialmente aposentados, pensionistas e usuários que se deslocam de longe para conseguir atendimento.

Para Eliana Lima, funcionária do Bradesco e diretora de Formação do Sindicato dos Bancários do Pará, a situação da agência Marajó mostra que o banco está colocando trabalhadores, trabalhadoras e clientes em risco.

“O Bradesco tem um plano de reduzir agências e investir no digital, mas a população não está preparada para isso. Muita gente não consegue se auto atender. Quando o banco tira caixas presenciais, reduz vigilantes e fragiliza a estrutura da agência, não acaba com o risco. Pelo contrário: aumenta a vulnerabilidade de funcionários, funcionárias e clientes”, afirmou Eliana.

A dirigente também destacou que o Sindicato já denunciou o caso ao Ministério Público do Trabalho e segue cobrando providências. Para a entidade, transformar agências em “unidades de negócios”, sem a mesma estrutura de segurança, é uma forma de cortar custos às custas da vida de quem trabalha e de quem usa o serviço bancário.

Os números mostram que não se trata de falta de dinheiro. De acordo com a CONTRAF-CUT, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mesmo assim, em 12 meses, o banco fechou 3.017 postos de trabalho, sendo 3.131 entre bancários, além de encerrar 346 agências, 1.053 postos de atendimento e 15 unidades de negócios.

Em 2025, o banco já havia lucrado R$ 24,652 bilhões, alta de 26,1% em relação a 2024. No mesmo período, fechou 1.927 postos de trabalho e encerrou centenas de unidades de atendimento. Ou seja: o lucro cresce, mas o emprego diminui. O banco ganha mais, enquanto trabalhadores, trabalhadoras e a população paga a conta.

Para Márcio Saldanha, funcionário do Santander e diretor do SEEB Pará, a luta da categoria vai além da campanha salarial. É também uma luta por segurança, saúde, condições de trabalho e respeito à sociedade.

“Estamos em campanha nacional por melhoria de salário, mas também por condições de trabalho e segurança. Os bancos estão reduzindo postos, fechando agências e concentrando atendimento em poucos locais. Isso obriga a população a se deslocar grandes distâncias, gera filas intermináveis e aumenta a sensação de insegurança dentro e fora das agências”, destacou Saldanha.

Ele também criticou a retirada de portas giratórias e a redução de vigilantes, medidas que colocam em risco bancários, bancárias, clientes e usuários. Para o dirigente, os bancos não podem usar a digitalização como desculpa para abandonar a população que mais precisa do atendimento presencial.

O movimento sindical reforça que a tecnologia deve ajudar as pessoas, não excluir. Aplicativo, caixa eletrônico e atendimento digital podem ser úteis para muita gente, mas não substituem completamente o atendimento humano. Idosos, aposentados, pessoas com deficiência, moradores de regiões periféricas e usuários com dificuldade de acesso à internet continuam precisando de agências abertas, funcionários disponíveis e atendimento digno.

Na prática, o que os bancos têm feito é o contrário. Fecham agências, reduzem equipes, aumentam metas, sobrecarregam trabalhadores e deixam clientes em filas cada vez maiores. Em 2025, enquanto o Brasil abriu 1,28 milhão de empregos formais, o setor bancário fechou 8.910 postos de trabalho.

A redução da rede física também é alarmante. Entre 2024 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências. Em dez anos, de 2015 a 2025, a queda chegou a 37%, com 8,5 mil agências a menos no país. Tudo isso enquanto o sistema financeiro segue acumulando lucros bilionários.

Para Sandro Mattos, diretor do sindicato dos bancários do Pará e funcionário do Itaú, o ato em frente ao Bradesco mostrou que a pauta dos bancários também é uma pauta da população.

“Quando o Sindicato vem a público, não vem apenas defender a categoria bancária. Vem defender também a sociedade. As filas intermináveis mostram o resultado de uma política de fechamento de agências e demissões. Os bancos lucram muito, mas não investem em novas agências, não contratam mais bancários e bancárias e deixam a população refém de um atendimento cada vez pior”, afirmou o representante da COE/Itaú pela Fetec-CUT/CN

O dirigente destacou ainda que a Campanha Nacional dos Bancários 2026 não trata apenas de salário. A categoria também luta por saúde, condições de trabalho, segurança e contratação de mais bancários e bancárias para melhorar o atendimento à população.

Para o Sindicato, emprego não é uma pauta isolada. Defender o emprego bancário é defender atendimento de qualidade, segurança nas agências, saúde mental dos trabalhadores e respeito aos clientes. Cada agência fechada representa um serviço a menos. Cada posto de trabalho eliminado significa mais sobrecarga para quem fica e mais dificuldade para quem precisa ser atendido.

A Consulta Nacional dos Bancários 2026, respondida por 54.952 trabalhadores e trabalhadoras em todo o país, mostrou que o emprego está entre as grandes preocupações da categoria, junto com a manutenção de direitos, plano de saúde e combate ao assédio moral. O levantamento também apontou que 72,6% dos bancários e bancárias afirmam que o ambiente de trabalho nos bancos impacta negativamente a saúde mental.

Por isso, o Sindicato dos Bancários do Pará reafirma: lucro recorde não pode significar menos empregos, menos segurança e menos atendimento. Banco que lucra bilhões tem obrigação de manter agências abertas, preservar postos de trabalho, garantir segurança e atender a população com respeito.

Neste início da Campanha Nacional dos Bancários 2026, o recado da categoria é direto: basta de desmonte. Bancárias e bancários seguem nas ruas, feitos de esperança e movidos pela luta, em defesa do emprego, da segurança, da saúde e de um sistema financeiro que respeite trabalhadores, trabalhadoras, clientes e toda a sociedade.

 

Fonte: Bancários Pará com dados da Contraf – CUT.

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