Ato reforçou que saúde mental, novas contratações e fim das metas abusivas são prioridades da Campanha Nacional 2026
O Sindicato dos Bancários do Pará realizou, na manhã desta segunda-feira (20), um ato de mobilização pelo Dia Nacional de Luta pela Saúde, em frente à agência da Pedreira do Banco do Brasil, em Belém. A atividade integrou a agenda nacional de mobilizações da categoria e antecede a quarta rodada de negociações da Campanha Nacional 2026 com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
A mobilização denunciou o avanço do adoecimento físico e, principalmente, mental entre bancárias e bancários, resultado de um modelo de gestão baseado em metas abusivas, redução de pessoal, fechamento de agências e sobrecarga de trabalho. Durante o ato, dirigentes sindicais dialogaram com trabalhadores, clientes e a população sobre os impactos dessas políticas tanto para quem trabalha nos bancos quanto para quem depende do atendimento presencial.
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, destacou que a saúde se tornou uma das principais pautas da categoria diante da mudança no perfil de adoecimento dos trabalhadores. Ela também criticou o fechamento de unidades do Banco do Brasil, especialmente no interior do estado, como ocorreu em Mosqueiro.
“Há alguns anos, predominavam doenças físicas, como LER/DORT e problemas de coluna. Hoje, ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros transtornos mentais fazem parte da realidade da categoria, como consequência da pressão por metas, da redução de pessoal e do fechamento de agências. Além de sobrecarregar os trabalhadores, o encerramento de unidades dificulta o acesso da população aos serviços bancários e retira o direito de escolher pelo atendimento presencial, que continua essencial para milhares de pessoas”, afirmou Tatiana.
O Sindicato alerta que o fechamento de agências compromete o atendimento e prejudica toda a sociedade. A população enfrenta filas maiores, deslocamentos mais longos e um serviço cada vez mais precário, enquanto bancárias e bancários convivem com metas abusivas e sobrecarga de trabalho.
Banco público forte precisa valorizar quem trabalha
O Sindicato defende o fortalecimento do Banco do Brasil como instituição pública estratégica para o desenvolvimento do país, com presença em todos os municípios paraenses. Para a entidade, o fechamento de agências representa um retrocesso, aumenta a sobrecarga dos trabalhadores e prejudica clientes e usuários.
A diretora da CONTRAF/CUT Rosalina Amorim destacou que uma das principais reivindicações da categoria é a realização de concurso público para recompor o quadro funcional.
“Hoje temos inúmeras vagas em aberto, especialmente na região Norte. A falta de trabalhadores gera adoecimento, impede o desenvolvimento profissional dos colegas e compromete a qualidade do atendimento. Nossa pauta é clara: queremos mais contratações, saúde e respeito para quem constrói diariamente o Banco do Brasil.”
Durante a mobilização, os dirigentes lembraram que o sistema financeiro continua registrando resultados bilionários, enquanto reduz postos de trabalho e amplia a cobrança por produtividade.
O diretor SEEB-PA, Gilmar Santos, destacou que essa lógica compromete a função social das instituições financeiras.”Temos cada vez mais clientes sendo atendidos por menos trabalhadores. Essa sobrecarga provoca estresse, burnout e outros transtornos psicológicos. Além disso, os bancos ainda tentam transferir aos funcionários os custos relacionados aos planos de saúde. É preciso inverter essa lógica e colocar as pessoas acima do lucro.”
A categoria chama atenção para os impactos da digitalização acelerada e sem planejamento. Os bancos eliminam postos de trabalho antes mesmo da implantação de novas tecnologias, reduzindo o número de funcionários nas agências, obrigando clientes a recorrer aos aplicativos e contribuindo para o aumento das fraudes. Com isso, os trabalhadores que permanecem na linha de frente absorvem ainda mais pressão.
Saúde mental lidera pauta da Campanha Nacional
Segundo dados apresentados durante a mobilização, os bancários permanecem entre as categorias com maior número de afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho.
Dados do INSS apontam que gerentes, caixas e escriturários estão entre as ocupações com maior incidência de afastamentos por doenças mentais e comportamentais. Em 2024, esse tipo de adoecimento respondeu por mais da metade dos afastamentos previdenciários da categoria. Paralelamente, entre 2012 e 2025, o lucro líquido conjunto dos maiores bancos do país cresceu de aproximadamente R$ 51 bilhões para mais de R$ 127 bilhões.
A Consulta Nacional dos Bancários 2026 também revela que, entre maio de 2025 e maio de 2026, cerca de 40% dos trabalhadores utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes.
Diante desse cenário, a categoria reivindica a proibição de práticas de assédio algorítmico, metas negociadas coletivamente, transparência nos sistemas automatizados de avaliação, proteção à saúde mental, fim do monitoramento abusivo e garantia de que decisões sobre remuneração ou emprego não sejam tomadas exclusivamente por algoritmos.
Fonte: Bancários PA