As entidades representativas dos empregados e empregadas do Banco da Amazônia realizaram, neste dia 15 de junho (segunda-feira), um Dia Nacional de Luta contra a proposta de Plano de Cargos e Salários apresentada de forma unilateral pela direção do banco. Em Belém, o ato ocorreu em frente à matriz do BASA e reuniu dirigentes sindicais do Sindicato dos Bancários do Pará, bem como representantes da Associação dos Empregados do Banco da Amazônia – AEBA, além de trabalhadores e trabalhadoras da base. A mobilização também ocorreu em outros estados da Amazônia Legal onde há unidades do banco, e seguirá nos próximos dias nas localidades que ainda não realizaram atividades.
A principal orientação das entidades é: quem ainda NÃO aderiu ao PCS deve continuar sem aderir. E quem já fez adesão pode voltar atrás e desaderir no sistema do banco, já que o prazo final informado para adesão vai até 31 de julho. Para as entidades, não há motivo para pressa diante de uma proposta que ainda apresenta dúvidas, distorções, ausência de transparência e risco de retirada de direitos.
A pauta central da mobilização é que o Banco da Amazônia se sente à mesa com as instituições representativas para negociar de fato o PCS BASA. As entidades defendem que um plano aguardado há mais de três décadas pelos trabalhadores e trabalhadoras não pode ser definido sem construção coletiva, sem transparência e sem garantias efetivas de preservação de direitos.
Durante o ato, Cristiano Moreno, coordenador da mesa BASA e diretor jurídico do Sindicato dos Bancários do Pará, criticou a forma como o plano foi apresentado e alertou para os riscos de perdas para a categoria. “Esse PCS, como está colocado, é ruim. Ele frustra a expectativa das pessoas que estão há 32 anos esperando uma equiparação com a realidade do mercado. Ele veio unilateralmente, foi imposto. Como dirigente sindical, como coordenador da COE e como diretor jurídico do Sindicato dos Bancários do Pará, eu oriento os colegas a NÃO ADESÃO de um plano de cargos e salários que resulte na perda de direitos”, afirmou.
De acordo com as entidades, um dos pontos mais graves é que o banco apresentou apenas parte da proposta, sem detalhar o plano de funções, que impacta diretamente a remuneração de grande parte do funcionalismo. Hoje, funções comissionadas representam parcela significativa da renda de muitos empregados e empregadas, mas o banco não explicou como ficará a quantidade, o valor e a permanência dessas funções no novo modelo.
A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, reforçou que aderir agora seria assumir um risco sem informações completas. “O banco não apresentou aos empregados, às empregadas, nem às entidades o conteúdo do plano de funções, que é o que complementa esse processo. A gente só tem acesso à parte dos cargos e do salário-base. Então, ao aderir a esse plano de cargos, o trabalhador e a trabalhadora estariam, de certa forma, assinando um cheque em branco, sem saber se depois as funções continuam, se mudam, se a quantidade muda ou se o valor das funções muda. São muitas dúvidas em relação à remuneração”, destacou.
As falas durante o ato também apontaram problemas no enquadramento proposto pelo banco, especialmente para trabalhadores e trabalhadoras com mais tempo de casa. As entidades denunciam que o PCS desconsidera a trajetória profissional, achata carreiras e pode igualar empregadas e empregados antigos a quem acabou de ingressar no banco, jogando fora anos de serviço, dedicação e experiência acumulada.
Gilson Lima, presidente da AEBA, chamou atenção para os impactos negativos da migração apresentada pelo banco. “Para quem tem 10 anos, 15 anos de banco, nós vamos ter uma realidade negativa. É difícil migrar para um plano de cargos e salários que aumenta um pouco o salário inicial e achata lá no final. Nós não aceitamos essa regra de migração que o banco tem apresentado aos nossos colegas. Esse é um ato nacional, com sindicatos de vários estados, todos protestando contra esse plano de cargos e salários”, afirmou.
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de perdas em direitos históricos, como adicionais por tempo de serviço e vantagens conquistadas ao longo de anos de luta. Para as entidades, o banco tenta vender o plano como melhoria, mas sem garantir que a remuneração global dos trabalhadores e trabalhadoras será preservada no médio e longo prazo.
Ronaldo Fernandes, da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte – FETEC/CUT-CN, foi enfático ao defender a não adesão. “Ninguém deve aceitar um plano de cargos com perdas. Não é para ninguém assinar esse plano de cargos e salários, porque é um engodo, é uma farsa. O BASA vem com um plano depois de 32 anos tentando enganar seus funcionários e funcionárias com uma proposta irrisória de melhoria. Ninguém vai aceitar perda de direito, ninguém vai aceitar perda de salário”, declarou.
As entidades afirmam que seguirão mobilizadas, dialogando com os trabalhadores e trabalhadoras nas unidades do Banco da Amazônia e pressionando a direção do banco pela abertura de negociação efetiva. A defesa é por um PCS construído coletivamente, que corrija distorções, valorize a trajetória profissional, respeite direitos adquiridos e garanta ganho real para quem constrói o Banco da Amazônia todos os dias.
Enquanto o banco não negociar com seriedade e transparência, a orientação permanece: NÃO ADERIR ao PCS BASA. Quem já aderiu deve desaderir. Quem ainda não aderiu deve manter a unidade da categoria e fortalecer a luta coletiva.
Nenhum passo atrás. As entidades exigem respeito, negociação de verdade e um PCS que valorize os empregados e empregadas do Banco da Amazônia.
Fonte: Bancários PA