Nova fase do Desenrola deve focar em trabalhadores informais e quem paga contas em dia

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O governo federal prepara uma nova expansão do programa Desenrola Brasil, desta vez com foco nos trabalhadores informais e em cidadãos que mantêm suas contas em dia. A iniciativa foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quarta-feira (6), e visa ampliar o acesso ao crédito para quem atua fora do mercado formal de trabalho.

A proposta para os informais prevê a criação de uma linha de crédito específica. O objetivo é permitir que camelôs, entregadores de aplicativos e outros trabalhadores sem carteira assinada possam renegociar débitos e obter novos financiamentos com juros reduzidos, similares aos praticados para o público com renda fixa.

“Nós temos que aproveitar esse momento pós-pandemia, pós-governos desastrosos no Brasil, para que a gente dê esperança para as pessoas e renegocie. Então, é o momento de renegociar e pagar a dívida”, disse o ministro em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida busca corrigir uma distorção do sistema financeiro, que, muitas vezes, nega crédito ou cobra taxas abusivas de quem não possui comprovante de rendimentos. A pasta estuda utilizar o histórico de pagamentos de contas como forma de garantir a viabilidade dos novos empréstimos.

Outra novidade importante é o “Desenrola para Adimplentes”. Diferente das fases anteriores, voltadas exclusivamente para quem já estava negativado, essa modalidade deve oferecer benefícios para quem paga suas dívidas no prazo. A ideia é conceder descontos em juros de novos financiamentos como forma de incentivo à educação financeira.

“Queremos incentivar o bom pagador, tratar num segundo momento desses incentivos, seja o estudante do Fies que está adimplente, seja quem tem uma taxa de juros alta e também segue adimplente”, explicou Durigan.

Ao oferecer o Fundo de Garantia de Operações (FGO) como garantia para os informais, o governo assume parte do risco da operação, o que obriga as instituições financeiras a repassarem taxas menores para o consumidor final, estimulando o consumo das famílias.

Especialistas em economia avaliam que a inclusão dos informais é um passo estratégico para a formalização indireta desses trabalhadores. Ao entrarem no sistema bancário com garantias oficiais, esses cidadãos passam a ter um histórico financeiro que pode facilitar, no futuro, o acesso a benefícios previdenciários e assistenciais.

O cronograma oficial de lançamento das novas modalidades deve ser divulgado nas próximas semanas, após o fechamento dos acordos técnicos com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O anúncio oficial deve ser feito até o início do mês de junho.

 

Fonte: Brasil de Fato

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