A 21ª Conferência Estadual Bancária reuniu, nos dias 22 e 23 de maio, mais de 150 bancárias e bancários de todo o Pará para debater e construir a minuta de reivindicações da categoria do estado, que será levada e defendida na Campanha Nacional. O encontro também tratou de temas que afetam diretamente a categoria, como conjuntura econômica, saúde mental, representatividade e a eleição da delegação que representará o Pará na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, em São Paulo.
No primeiro dia, a Conferência contou com uma mesa de abertura marcada pela presença de mulheres bancárias e dirigentes sindicais, que destacaram a importância da Campanha Nacional 2026 em um ano eleitoral e reforçaram pautas ligadas aos direitos sociais. A programação também teve exposição de Mauro Salles Machado, secretário de Saúde da Contraf-CUT, sobre saúde do trabalhador bancário, com destaque para os impactos das metas abusivas, da cobrança permanente, da vigilância digital e do assédio algorítmico, reforçando a necessidade de prevenção, transparência nos dados de adoecimento, combate ao assédio e proteção aos trabalhadores adoecidos. Leia também: CN2026: Saiba como foi o 1º dia da Conferência Bancária do Pará.
O segundo dia da Conferência aprofundou os debates sobre os desafios da campanha salarial de 2026, as transformações no sistema financeiro, a redução dos postos de trabalho, o adoecimento da categoria e a necessidade de fortalecimento da unidade sindical diante desse cenário.
A programação iniciou com a análise de conjuntura econômica para a campanha salarial 2026, apresentada pelo economista do Dieese, Gustavo Cavarzan.
Segundo o economista, a campanha salarial precisa ser analisada dentro do cenário econômico e político do país, considerando fatores como inflação, desemprego, lucros do setor bancário, transformações tecnológicas e capacidade de mobilização da categoria. A exposição traçou um panorama dos elementos que podem influenciar a negociação salarial de 2026, tanto os que favorecem a luta dos trabalhadores quanto os que apresentam desafios. Entre os pontos destacados, estão a redução das estruturas físicas dos bancos, o fechamento de agências, a diminuição dos postos de trabalho, o avanço da digitalização, o crescimento das fintechs e o uso cada vez maior da inteligência artificial no sistema financeiro.
Para a categoria bancária, esse diagnóstico reforça que a Campanha Nacional precisa ir além do reajuste salarial, incorporando pautas como defesa do emprego, combate ao fechamento de agências, valorização dos trabalhadores, controle dos impactos da tecnologia, saúde mental e fortalecimento da mobilização coletiva.
“Defendemos a unidade da categoria como um elemento estratégico para enfrentar o atual cenário. Isso não significa que todos precisam pensar igual, mas que as diferenças não podem impedir a construção coletiva. Pelo contrário: é no diálogo, na escuta e na capacidade de construir consensos que a gente fortalece a nossa luta. Quando a categoria se une, mostra força diante dos bancos, e essa unidade é uma das principais formas de pressão nas mesas de negociação”, destacou Tatiana Oliveira, presidenta do Sindicato.
Saúde mental no trabalho bancário
A saúde mental voltou a ocupar espaço central no segundo dia da Conferência. A psicóloga Lígia Machado conduziu a mesa sobre saúde mental no trabalho bancário e abordou o crescimento dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil, com destaque para a categoria bancária.
Durante a exposição, Lígia explicou as atualizações da NR-1, que passou a incluir o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A norma exige que as empresas identifiquem, analisem e adotem medidas de prevenção e controle diante de fatores que afetam a saúde emocional dos trabalhadores.
A psicóloga destacou que o debate sobre saúde mental não pode se limitar ao cuidado depois do adoecimento. É necessário atuar de forma preventiva, analisando o ambiente de trabalho, as relações internas, a pressão por resultados, a sobrecarga e os fatores que contribuem para o sofrimento psíquico.
“Os bancos tentam tratar o adoecimento como um problema individual, mas a gente sabe que ele está ligado ao modelo de gestão, às metas abusivas, aos rankings e à pressão permanente. Esse sistema coloca trabalhador contra trabalhador e adoece a categoria. Quem estiver afastado, sem salário ou com dificuldade junto ao banco ou ao INSS, procure o Sindicato.”, destacou Tatiana Oliveira.
Os debates do segundo dia também evidenciaram a preocupação da categoria com o avanço da digitalização, o fechamento de agências e a redução dos postos de trabalho, especialmente em regiões do estado onde o atendimento presencial ainda cumpre papel social fundamental para a população que enfrenta dificuldades de acesso à internet, celular e serviços digitais.
Entre as propostas apresentadas, estiveram o fim das demissões injustificadas, o combate às metas abusivas, o apoio psicológico aos trabalhadores e o fortalecimento da unidade sindical para a Campanha Nacional 2026.
Durante a plenária, foram aprovadas todas as propostas apresentadas ao longo da Conferência. Entre elas, duas pautas foram debatidas com maior atenção: o tempo de vigência das normas coletivas decorrentes da próxima Campanha Salarial e a contribuição negocial.
Sobre a vigência das normas coletivas, houve divergência entre os participantes, já que parte da plenária defendeu que o acordo tivesse validade de um ano. Foi explicado, no entanto, que a minuta é construída com o prazo de um ano, mas o processo de negociação pode considerar outros elementos estratégicos. A definição do prazo das normas coletivas deve levar em conta tanto o conteúdo do acordo quanto o cenário político, econômico e jurídico do país. A avaliação considera se a manutenção das cláusulas pactuadas é a melhor forma de preservar direitos e benefícios da categoria, especialmente em momentos de instabilidade ou incerteza nas negociações.
Já em relação à contribuição negocial, também houve divergência sobre sua manutenção. Foi esclarecido que a cobrança para toda a categoria se justifica porque as conquistas obtidas nas negociações coletivas beneficiam todos os trabalhadores e trabalhadoras, sindicalizados ou não, além de garantir a continuidade da luta da categoria. Reajustes salariais, benefícios e garantias de proteção conquistados pelo Sindicato são estendidos a toda a base, e a contribuição busca assegurar a sustentabilidade das negociações e evitar que apenas uma parte da categoria financie uma luta cujos resultados são compartilhados por todos. Após o debate, a proposta foi submetida à votação e aprovada pela plenária, com 81 votos favoráveis e 72 contrários.
A Conferência também destacou a necessidade de ampliar o olhar da categoria para os bancários e bancárias PCD, reforçando a defesa de seus direitos, de condições adequadas de trabalho, acessibilidade, respeito às especificidades de cada trabalhador e trabalhadora e participação efetiva nas decisões da Campanha Nacional.
A pauta foi apresentada pelo bancário da Caixa Charles Lima, integrante do Coletivo Caixa Autista, que reforçou a importância de garantir acessibilidade, adaptações adequadas e respeito aos direitos de bancários e bancárias PCD, especialmente diante de ambientes laborais que ainda desconsideram as necessidades específicas desses trabalhadores.
“A nossa luta coletiva é garantir que colegas autistas tenham acessibilidade, adaptações adequadas e tratamentos específicos para cada condição, para que possam desenvolver as habilidades necessárias e lidar com o ambiente de trabalho de forma mais estável. Ao apoiar essa pauta, companheiros e companheiras estarão ajudando a salvar vidas de colegas bancários e também de famílias que adoecem junto com eles”, destacou Charles.
Delegação eleita
Encerrando a Conferência, foi apresentada e eleita a chapa única que irá representar o Pará nos próximos espaços de debate e deliberação da categoria bancária em São Paulo.
Com o nome “Democracia, Unidade e Luta para Avançar”, a chapa foi eleita pela maioria dos votos e levará à 28ª Conferência Nacional dos Bancários as deliberações, propostas e reivindicações construídas coletivamente pela categoria no estado.
A 21ª Conferência Estadual Bancária reafirmou a força da organização sindical no Pará e a importância da participação da base na construção das lutas da categoria. Em dois dias de debates, bancários e bancárias defenderam direitos, apontaram desafios e reforçaram que a unidade segue sendo o principal caminho para enfrentar retrocessos e avançar em novas conquistas.
Delegação paraense rumo à 28ª Conferência Nacional
Danielle Santos
Heládia Carvalho
Jessyka Monteiro
Joventina Marques
Kátia Furtado
Lilia Carmo
Tatiana Oliveira
Adenilton Oliveira
Homero Pinheiro
Joel Cunha
Marcelo Santos
Otoniel Costa
Rubens Tabajara
Sandro Mattos
Erika Tavares
Cristina Pinheiro
Cristiane Aleixo
Ronaldo Fernandes
Naydion Aquino
Ruver Meireles
Lilian Linhares
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Fonte: Bancários PA