Funcionalismo aprova proposta para demissões compulsórias no Banpará

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Mobilização do Sindicato com a categoria conquistou proposta que inclui plano de saúde vitalício, indenização e seis meses de tíquete-alimentação 

Quando receberam o comunicado de desligamento do Banpará em janeiro, os funcionários tinham apenas o proporcional de férias e 13° salário, mas após ação judicial e negociação, vários outros direitos e benefícios foram garantidos através da atuação do Sindicato. Um dos principais pontos conquistados é o plano de saúde, e por toda a vida.

A proposta na íntegra foi apresentada em mesa de negociação ao Sindicato na última quarta-feira (17) e aprovada no final da manhã desta sexta-feira (19), em assembleia virtual, pelo público-alvo, bancários e bancárias com mais de 70 anos ou que se aposentaram após 13 de novembro de 2019 (data da ‘reforma’ da Previdência).

“O resultado da proposta aprovada comparada com a inicial, melhorou bastante, nada a reclamar. Gostaríamos de pedir para sair; mas não sair porque o banco quer. Fomos todos vencedores, aplausos para empenho dos colegas do Sindicato, no front, a companheira Vera Paoloni”, agradece o bancário, Orlando Picanço e Silva.

Dia 30 de maio, Orlando e mais 40 bancários e bancárias, serão os primeiros desligados por conta Emenda Constitucional 103, a reforma da previdência de Bolsonaro. E até 31/dez/21, quem for completando 70 anos também encerrará sua carreira bancária no mês do aniversário.

Agente de call center (VPP) com 45 anos e 8 meses de Banpará, o bancário que foi surpreendido com a notícia, no início do ano, e passou esses 3 meses, entre angústias e preocupações, conta que teve a dignidade de trabalhador bancário resgatada, com a proposta apresentada e aprovada na assembleia.

“Agora somos trabalhadores melhor que a data de 29 de janeiro, da edição do inqualificável comunicado do Banpará que versava sobre o nosso desligamento sumário e célere, que, graças a Deus não prosperou na sua plenitude, mas deixou ranhura na imagem do banco, empresa pela qual tanto lutamos”, desabafa.

Durante todo esse tempo, o Sindicato dos Bancários deu início a mais uma luta diante da insatisfação com o banco em busca de um encerramento de carreira bancária digna, exatamente como Orlando Picanço destacou após resultado da assembleia de hoje.

“Mandamos ofício assim que o banco emitiu o comunicado pedindo reunião para discutirmos o assunto e como o Banpará não nos respondeu, recorremos à justiça diante do prazo previsto para os desligamentos e conseguimos liminar para barrar as demissões compulsórias. A justiça também acatou nosso pedido de abertura de mesa de negociação com o banco e em três rodadas, construímos a proposta. Em um desligamento, nada é ideal. E vai se embora mais um pedaço da história do Banpará, história de doação, de muita labuta, sacrifício. Trago comigo o sentimento de dever cumprido, com uma dose de melancolia. Peço aos colegas que fiquem em sintonia sempre com o Sindicato,” diz a vice-presidenta do Sindicato e bancária do Banpará, Vera Paoloni.

Após três rodadas de negociação com o banco, a proposta final garante aos bancários e bancárias:

. 40% da multa de FGTS sobre o valor depositado durante a vida laboral (não havia essa proposta no início das negociações);

. 6 meses de tíquete-alimentação, pagos de uma vez, como verba indenizatória (inicialmente, não havia esse valor. Na segunda mesa, o Banpará propôs 3 meses);

. Plano de saúde vitalício, no valor por vida, de R$ 314,10; que será ressarcido ao banco após 6 meses a contar da data do desligamento (item proposto inicialmente pelo Sindicato, depois banco propôs 3 meses. Atualmente, um plano de saúde igual ao existente no banco, custa em média R$ 2.013,30, por beneficiário na mesma operadora).

. Aviso prévio será indenizado e pode chegar a 90 dias, dependendo do tempo de banco de cada um (não havia essa proposta no início);

. O acordo é válido até 31 de dezembro deste ano, ou seja, ficaram incluídos também os que tiveram aposentadoria por tempo de serviço deferida até 31 de dezembro de 2020; público que o banco não estava contemplando no início das negociações;

. Abono integral do banco de horas negativo. Se tiver estoque de folgas, abono-assiduidade ou ainda licença prêmio, terá direito a indenização;

. Renegociação de dívidas, nos patamares legais, nas melhores condições ofertadas pelo banco;

. Para quem estiver em home office, redução da jornada em 2 horas para cursos on-line, gratuitos, caso o bancário ou bancária tenha interesse;

“Tomamos como base nas negociações o PDV de 2019, não conseguimos chegar a esse patamar; mas pra quem saiu do nada com oito propostas que garantem benefícios a cada bancário e bancária que será desligado, é sim uma vitória. Toda nossa solidariedade, respeito e agradecimento a todos os trabalhadores e trabalhadoras que construíram grande parte da história do Banpará e do Sindicato também, como sindicalizados”, ressalta a presidenta do Sindicato, Tatiana Oliveira.

Em caso de dúvidas, entre em contato pelo nosso WhatsApp (91) 98426-1399

 

Fonte: Bancários PA

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