O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, foram aprovados por ampla maioria na Câmara dos Deputados, mas seguem travados no Senado Federal. Enquanto a proposta aguarda votação, mais de 70% dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros defendem o fim do modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Para pressionar o Senado a avançar na discussão e colocar a proposta em pauta, a CUT e as demais centrais sindicais realizam, nesta semana, uma série de mobilizações em todo o país. A agenda busca ampliar a pressão sobre os senadores e cobrar a votação do fim da escala 6×1.
A proposta encaminhada pelo governo federal estabelece uma mudança no modelo atual de organização do trabalho e prevê a redução da jornada semanal para 40 horas, com o objetivo de ampliar o tempo de descanso e melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
6×1 atinge milhões de trabalhadores do transporte, comércio e serviços
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra a dimensão da escala 6×1 no mercado de trabalho brasileiro. Cerca de 14,8 milhões de trabalhadores, o equivalente a 33,2% dos ocupados no país, estão submetidos a esse modelo.
Entre as atividades com maior presença, a escala 6×1 tem maior incidência no transporte aéreo, onde alcança 53,2% dos trabalhadores, seguido pelos serviços de alojamento (52%), serviços de alimentação (47,1%) e comércio (42,2%), segundo levantamento do Dieese.
Os números mostram que trabalhadores de setores com funcionamento diário e horários estendidos estão entre os mais submetidos à jornada de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.
Empresários ligados principalmente aos setores de comércio e serviços estão entre os que mais resistem à mudança. Por outro lado, empresas que passaram a testar modelos alternativos de organização do trabalho, como a escala 5×2, relatam resultados positivos, incluindo melhora no engajamento dos funcionários.
Maioria trabalha mais de 40 horas por semana
A Constituição Federal estabelece atualmente uma jornada máxima de 44 horas semanais, que pode ser distribuída em diferentes escalas de trabalho. Na escala 6×1, são seis dias de trabalho para um dia de descanso.
Na prática, porém, uma parcela significativa da classe trabalhadora brasileira cumpre jornadas longas e desgastantes.
Segundo o Dieese, a maioria absoluta dos trabalhadores brasileiros trabalha entre 40 e 44 horas semanais. Além disso, cerca de 20 milhões de pessoas trabalham acima desse limite, com jornadas que chegam a 45, 48 horas ou mais por semana.
Os dados do Dieese apontam ainda que 64% dos trabalhadores formais têm jornada superior a 40 horas semanais. Entre os trabalhadores celetistas, aproximadamente 75% trabalham mais de 40 horas por semana.
Mais tempo para viver
A redução da jornada de trabalho não representa apenas uma mudança na organização das horas trabalhadas. Entre os principais argumentos em defesa da medida está a possibilidade de melhorar a qualidade de vida da população trabalhadora.
Com uma jornada menor e mais dias de descanso, os trabalhadores podem ter mais tempo para convivência familiar, estudo, lazer, descanso e cuidados com a saúde física e mental.
O tempo gasto no deslocamento também pesa na rotina. De acordo com o Dieese:
. 71,2 milhões de trabalhadores precisam se deslocar para o trabalho;
. 14,5 milhões levam entre 30 minutos e uma hora no trajeto;
. 7,4 milhões gastam mais de uma hora para chegar ao trabalho;
. 1,3 milhão passa mais de duas horas no deslocamento diário.
Na prática, milhões de brasileiros passam grande parte do dia envolvidos com o trabalho, somando as horas da jornada ao tempo necessário para chegar e voltar de seus locais de trabalho.
Fonte: CUT Brasil